Por Meon Em Opinião Atualizada em 06 MAR 2020 - 11H06

Sic transit gloria mundi' - A estreia de Vera Magalhães no "Roda Viva"

O clima era de festa. Em verdade, a própria emissora tratava a estreia de Vera Magalhães à frente do "Roda Viva", nas palavras da apresentadora "o programa mais plural da televisão brasileira", como evento. A recepção começou às 20h30. Uma plateia vip foi preparada. Alguns poucos manifestantes contrários ao PSDB e ao ministro Moro levantavam cartazes no portão de entrada da TV Cultura. O ministro chegou por volta das 21h30. Desfilou entre os convidados, fez foto junto ao backdrop preparado para a ocasião e seguiu para o estúdio, ladeado pelo presidente do canal público, José Roberto Maluf, e alguns 'privilegiados' para compor a plateia, entre eles o terapeuta da apresentadora, a assessora de imprensa de Moro e alguns engravatados que pareciam uma representação clássica dos oligarcas da política brasileira.

Sergio Moro


Faltam 5 minutos para o programa ir ao ar. A temperatura no estúdio deve beirar zero grau. O ministro, impávido, já posicionado, faz pose para fotos. Diversos fotógrafos adentram o local e, conduzidos pela produção do programa, fazem seus cliques. "1 minuto", comunica a produção. Com as portas do estúdio fechadas, Karyn Bravo em outro local, encerra o "Jornal da Cultura" e Vera Magalhães começa a ler o teleprompter e entra para história da televisão como uma das apresentadoras de um dos mais tradicionais programas de entrevista da TV brasileira, juntando-se a um time que já teve Rodolfo Gamberini, Augusto Nunes, Rodolfo Konder, Heródoto Barbeiro, Marília Gabriela entre outros.


Contrariando o chororô da esquerda, o "Roda Viva" mostrou que a bancada de entrevistadores passou longe da fictícia regra de ser ungida pelo entrevistado. A própria apresentadora, no início do programa, deixou claro que nenhum nome é submetido para a aprovação do entrevistado, em respeito ao público e ao próprio convidado.
Os integrantes da bancada fizeram boas perguntas ao ministro, que o tempo todo em uma demonstração clara de preparo emocional, preferiu não responder, usando a técnica enraizada na classe política de independente da pergunta responder o que quiser.
Ávidos em apurar a repercussão, tanto os convidados, quanto a apresentadora, não se desconectaram das redes sociais. "Estamos no topo do 'trending topics mundial' do Twitter, comemorou Vera. Nesta rede social, por sinal, um show à parte.


Quase solto uma gargalhada alta na bancada ao ler uma postagem do @jornalismowando, "Felipe Moura Brasil deixa o Serjo tão à vontade que é capaz dele pedir uma porção de fritas". E outros milhares de comentários surgem segundo a segundo tirando o foco das respostas 'oficiais' apresentadas calmamente, quase balbuciadas, pelo já político ex-juiz. Nem nos intervalos, a quebra do gelo, por sinal, temperatura dominante no ambiente. Enfim, disposto a continuar engolindo sapos, para alcançar quase um desígnio divino, assumir a condição de comandante em chefe, parafraseando o mais alto posto da nação que admira, Sérgio Moro passou incólume pela emissora integrante do espólio do povo paulista.


Vera Magalhães também passou no teste. Altiva, tratou os colegas com respeito, mediando ao invés de conduzir, e tentou não deixar seu convidado tergiversar, não conseguiu, mas registrou que ele aproveitou de sua estatura para fazer o que quis. Parece que sempre foi assim. O público, dividido, vezes enaltecia o herói nacional esculhambando os mortais operantes do jornalismo, vezes tripudiava o entrevistado e o próprio programa por meio de sua interação com as redes sociais, segundo Guilherme Boulos, twitteiro de plantão, "milhões de bielorussos e letônios acompanharam de perto o #RodaViva".


Perguntado sobre a possibilidade de uma eventual 'traição' ao presidente Bolsonaro entrando na disputa presidencial, o baluarte da ética e símbolo nacional respondeu: 'Sic transit gloria mundi'

Vai que cola!, ops é um programa de outra emissora.

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