delegada da DDM SJC Ana Paula Medeiros Monteiro de Barros (Marcus Alvarenga/Meon)

Ana Paula Medeiros Monteiro de Barros, delegada da DDM de São José

Marcus Alvarenga/Meon

Na terceira reportagem da série especial “Ano bom que se vai, ótimo ano que virá”, uma mulher forte, reconhecida pelo seu trabalho incessante na luta do acolhimento policial humanizado às crianças, adolescentes e mulheres vítimas de abuso sexual, violência doméstica e outras formas de agressão e referência profissional.

Há pouco mais de um ano à frente da Delegacia de Polícia de Defesa da Mulher de São José dos Campos, a delegada Ana Paula Medeiros Monteiro de Barros acompanha de perto os casos de violência doméstica e familiar acometidas contra as mulheres.

Com uma carreira consolidada, a delegada de 47 anos já esteve presente em outros departamentos de investigação da Polícia Civil da cidade como, DIG (Delegacia de Investigações Geral), GARRA (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), na DEAS (Delegacia de Investigações Sobre Extorsão Mediante Sequestro) e na Delegacia Seccional de Polícia.

Formada em 1993 pela UNIVAP, o interesse da Drª. Ana Paula na área criminal surgiu na faculdade de Direito. “Optei por seguir nessa área durante os estágios na faculdade. Depois de formada, exerci a advocacia e após alguns anos, em 1998, através de concurso público, ingressei na carreira de delegada da Polícia Civil do Estado de São Paulo”, comenta.

Apesar dos inúmeros problemas vivenciados na economia e na política brasileira, isso não interferiu ou impediu da DDM realizar os projetos com a ajuda de um importante parceiro. “Foi fundamental a parceria com a ONG SOSMulher. A DDM oferece às vítimas um acolhimento psicológico e de assistência social prévio que tem o escopo de acolher as vítimas enquanto também é realizado o atendimento policial em salas reservadas, com a privacidade necessária”.

Outro ponto forte desenvolvido neste ano pela equipe da Delegacia especializada e com o apoio do Instituto Sabin, foi a criação da primeira Ludoteca do Estado de São Paulo. Um espaço lúdico para crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual e violência doméstica.

“Por meio de um procedimento especial, inspirado no conceito do “Depoimento sem Dano”, as vítimas respondem às perguntas em uma conversa informal com acompanhamento de psicólogo. O policial civil acompanha em tempo real e reduz a termo as declarações. O objetivo deste projeto é evitar que as vítimas passem por um novo trauma tendo que relatar o crime em ambiente formal”, explica.

Ainda neste ano, foi instalado um setor de investigações especializado em crimes de estupro e combate a pedofilia. Equipes de policiais civis acompanham de forma especializada essas ocorrências, em que resultou na prisão de vários criminosos.

Segundo dados do DEINTER 1 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior), todos esses projetos instalados fez com que a DDM de São José dos Campos atingisse em 2016, o primeiro lugar em produtividade na região do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira.

Tamanho o sucesso e referência profissional, que a Drª. Ana Paula foi convidada pela emissora americana Discovery Channel para gravar um episódio de uma série que estreia em 2017 pelo canal pago, chamada Web of Lies. “Gravamos sobre a investigação de um homicídio ocorrido em São José dos Campos que estive à frente, demonstrando o êxito na investigação realizada pela Polícia Civil nesta cidade para o esclarecimento do crime”.

O tempo passou, e hoje em dia elas não somente estão presentes no mercado de trabalho, como ocupam cargos tradicionalmente masculinos. As mulheres estão conseguindo se inserir e se destacar em áreas antes pouco povoadas pelo sexo feminino, e com maestria!

Prova disto é o fato da delegada ter tido a oportunidade de estar à frente de unidades especializadas da Polícia Civil. “Não me recordo de ter vivenciado preconceito por ser mulher exercendo o cargo de Delegado de Polícia. Acredito haver aceitação e respeito em razão do que tenho que enfrentar no desempenho da função. Também presenciei, em algumas oportunidades, que a figura feminina foi essencial para o esclarecimento de crimes”, ressalta.

E para aqueles que acreditam que as mulheres não estão aptas aos cargos de gerência e gestão no mercado de trabalho o recado está dado. “Homens e mulheres fazem parte da sociedade, portanto ambos têm que buscar participar dela com responsabilidade”.