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Durante espetáculo, Lucca faz truque de mágica

Divulgação

Tirar coelho da cartola, serrar uma pessoa ao meio e usar varinha mágica, eram características dos mágicos da década de 90. Nos anos 2000, quem não ficou fascinado pelo mundo mágico e lúdico do Harry Potter? Crianças, jovens e adultos sonham com um mundo de faz de conta perto deles.

Hoje, os mágicos modernos buscam atrelar aos espetáculos, carisma, criatividade, tecnologia e extrema habilidade visual para bem próximo do público. O  joseense, Lucca Viery, de 27 anos, já possui um longo relacionamento com a magia. Premiado nos principais campeonatos de mágica do Brasil, ele bateu um papinho com o Meon sobre suas influências, dificuldades, técnicas, desafios da mágica e muito mais.

Quando surgiu o seu interesse pela mágica?
Sempre gostei de mágica, desde criança, mas aos 7/8 anos de idade meu pai comprou um número de mágica, uma caneta que desaparecia e teve que fazer uma preparação, ele se escondeu no quarto pra montar a mágica, e todo aquele clima me deixou louco, queria saber como aquilo era possível, e a partir daí, sempre em meus aniversários eu pedia Kits de Mágica de presente.

Como você aprendeu a fazer mágicas?
Com 11 anos de idade, meu pai me levou à São Paulo em uma loja de mágica. O dono me indicou para Academia Brasileira de Artes Mágicas. Um lugar extremamente restrito, no qual apenas mágicos podiam frequentar. Mesmo sendo criança, o presidente da Academia me deixou entrar e começar a participar. Ali, eu pude ter contato com vários mágicos, professores e pessoas que me auxiliaram a aprender novas mágicas, técnicas e apresentações. 

Onde você buscava informações sobre mágica?
Quando comecei a fazer mágica, não existia YouTube e nem a internet era tão rápida. A forma que eu encontrei de buscar informações, era gravando em VHS tudo sobre mágica que eu assistia na TV, e tentar criar a minha maneira de apresentar aquele número, o que me fez desenvolver uma habilidade muito grande, porque na maior parte dos desafios eu desenvolvia uma técnica muito mais difícil do que realmente era. Isso também facilitou o desenvolvimento da minha criatividade. Ponto importante para o trabalho que desenvolvo com palestras e eventos corporativo, em que preciso o tempo todo criar novas mágicas e ideias.

O que você faz para treinar sua performance nos palcos?
Tenho uma equipe que atua comigo criando palestras e shows para teatros. Buscamos sempre números modernos, temas relevantes e apresentações com histórias e emoções. O estudo e a busca são sempre constantes para oferecer algo impactante para todos que assistem. O trabalho de palestras é um encontro com as técnicas de empreendedorismo que aprendi na faculdade, que na época era apenas um trabalho de TCC (unir a mágica a temas de gestão). Hoje é um trabalho inovador, com muitos resultados positivos para o desenvolvimento de pessoas.

Como é o mercado de atuação dos mágicos profissionais?
No Brasil é sempre um desafio trabalhar com arte. Existe uma cultura fraca para esse trabalho, ainda mais pensando em colocar mágica com palestras em empresas, temos uma certa resistência com os paradigmas de um trabalho tradicional. A cada evento que passa, essa resistência diminui e a mágica se mostra um ponto importante para a quebra de barreiras emocionais, e consequentemente, uma porta de entrada positiva para a mudança de comportamento das empresas. O que tem despertado positivamente a utilização do meu trabalho para treinar, motivar e engajar equipes, seja para falar de vendas, mudança, segurança, motivação, ou qualquer tema ligado à gestão de pessoas.

Que dica ou sugestão você daria para quem quer aprender mágicas?
Com o YouTube o acesso a números de mágica ficou muito mais fácil. Eu tenho um Kit e um DVD que ensinam algumas mágicas, mas ainda continuo acreditando que a maior dica e a principal, é treinar, treinar e treinar!

Conte algumas experiências no palco inusitadas no qual você passou.
Um mágico muito famoso chamado Harry Houdini, apresentava um número no passado chamado "A Camisa de Força", que consiste em ser amarrado por uma camisa de força real e através do movimento do corpo, conseguir escapar. Esse número faz parte do meu show e das palestras em que falamos sobre a superação de desafios. Durante uma apresentação em um teatro, eu fui surpreendido por uma fivela um pouco mais apertada, o que realmente me fez transpirar para escapar, e por alguns minutos achei que naquele dia eu não fosse conseguir escapar.

Existe mágica difícil? Qual foi a mágica mais difícil que você fez?
Sempre gosto de comentar no meus shows que a mágica mais difícil que eu sei fazer é a manipulação. São apenas cartas de baralho que desaparecem e aparecem no ar, não existe truque, é apenas habilidade manual para esconder e revelar as cartas, mas exige um movimento muito apurado, tanto é difícil, que foi com esse número que consegui por 3 vezes ganhar o prêmio nos Congressos Mágicos.

Falando em premição, você tem muitos prêmios!
Com 12 anos eu participei do primeiro campeonato de mágicas e competi com mágicos de todas as idades e regiões do país. Consegui ser premiado na categoria cartomagia (Mágica com Cartas). Aos 15, ganhei outro prêmio em Manipulação no Congresso Brasileiro de Mágicos (Habilidade Manual). Já aos 17, fui premiado novamente no mesmo congresso, e aos 25 anos, recebi o GrandPrix (Maior prêmio da Mágica) no Congresso Goiano de Mágicos.