O Pátria Investimentos vai fundir as operações da Kipit, empresa de galpões que alugam boxes para armazenar produtos (conhecidos como "self storage"), com o GuardeAqui, controlado pela gestora Equity International, do megainvestidor americano Sam Zell. A união das duas operações vai criar a maior companhia de "self storage" do País, que responderá por 10% desse mercado.

O valor da operação não foi divulgado pelas duas gestoras de investimentos. Com a fusão dos negócios, a nova companhia passará a deter 19 unidades de armazenagem, que somam 10 mil boxes e 110 mil m² de área locável. Nessa combinação de ativos, o GuardeAqui entra com as 15 unidades de armazenagem em operação no País e a Kipit com suas quatro (duas já em operação e outras duas em desenvolvimento).

Os dois fundos farão aporte na nova companhia, que manterá o nome GuardeAqui. A participação de cada acionista controlador (Pátria e Equity International) também não foi divulgada.

Segundo Allan Paiotti, presidente do GuardeAqui, a fusão das duas empresas vai permitir que a nova companhia promova expansão acelerada no mercado brasileiro. A meta é que, nos próximos três anos, o GuardeAqui atinja cerca de 50 unidades e lidere o movimento de consolidação desse segmento.

A expectativa é que a companhia atinja um valor de mercado de R$ 1 bilhão e possa fazer uma oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) ou atrair um futuro investidor de peso para continuar sua consolidação.

A ampliação do GuardeAqui nos próximos anos, de acordo com Paiotti, se dará basicamente de duas formas: por meio de aquisições e crescimento orgânico. "Vamos manter a estratégia de aquisição de imóveis para expandir nosso negócio", disse o executivo.

Em junho de 2015, a companhia de Sam Zell adquiriu a Cangubox, dando início ao movimento de consolidação nesse setor, que agora ganha mais robustez com a união dos ativos do Pátria.
Pulverizado e relativamente novo, esse mercado de armazenagem de produtos no Brasil tem apenas cerca de 200 unidades em operação, que somam uma área locável entre 330 mil m² e 350 mil m², das quais 60% instaladas no Estado de São Paulo.

Os galpões de armazenagem de produtos das duas companhias que anunciaram a fusão estão concentrados na capital paulista, na Grande São Paulo (Barueri e Guarulhos), em Santos, em Jundiaí, em Campinas, em Ribeirão Preto, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

Ao jornal O Estado de S. Paulo, Fauze Antun, sócio do Pátria Investimentos, afirmou que essa transação é estratégica para o fundo de investimento, que entrou no negócio por apostar na capacidade de expansão rápida do setor. "É um segmento que está começando a despontar agora no Brasil", disse.

Nos Estados Unidos, por exemplo, esse setor está consolidado há pelo menos 40 anos e tem uma área locável disponível de 200 milhões de m², com 55 mil unidades espalhadas pelo país.

Crise

Segundo Paiotti, a crise econômica pela qual o Brasil passa não afeta os planos de expansão desse segmento. "Há empresas que tiveram de fechar as portas (por causa da recessão) e que passaram a alugar galpões para armazenar seus produtos", afirma.

De acordo com o executivo, um dos maiores desafios do segmento no mercado americano foi durante a crise financeira global de 2008. "Aquele período foi uma grande prova de fogo para esse setor, que não foi afetado pela turbulência global financeira."

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no ano passado, Paiotti tinha afirmado que o GuardeAqui estava disposto a investir cerca de R$ 200 milhões por ano para promover a expansão.

O fundo Equity International, de Sam Zell, maior investidor do mercado imobiliário do mundo, está fazendo apostas em mercados emergentes. Em agosto do ano passado, anunciou aporte de R$ 400 milhões para se tornar um dos maiores acionistas da rede de estacionamento Estapar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.