Os juros futuros de longo prazo completaram a sétima sessão seguida de queda nesta terça-feira, 4. A impressionante sequência de recuo seguiu amparada pelos movimentos no exterior, de apetite pelo risco, e por novos capítulos da força-tarefa do Congresso para aprovar medidas de interesse do governo, o que reforça um cenário menos incerto para a reforma da Previdência. Em menor magnitude, os contratos de curto prazo também recuaram, a despeito de mais uma sinalização cautelosa do Banco Central sobre uma possível queda da Selic no curto prazo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,230%, de 6,264% segunda-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 caiu para 6,380%, de 6,440%. A taxa do DI para janeiro de 2023 passou de 7,411% para 7,30%. A taxa do DI para janeiro de 2025 recuou para 7,84%, de 7,991%.

Pela manhã, a reação positiva à aprovação, na segunda pelo Senado, da Medida Provisória (MP) 871, de combate a fraudes no INSS, já derrubava as taxas, assim como o número da produção industrial de abril ante março, que subiu 0,3%, abaixo da mediana das estimativas (+0,7%) e mais perto do piso (+0,1%). Além disso, a inflação deu novos sinais favoráveis, com o IPC-Fipe de maio (-0,02%) aquém do piso das projeções (zero).

Ainda na etapa matutina, as taxas ensaiaram uma realização de lucros, que logo se dissipou. Um dos argumentos para o movimento foi a entrevista do presidente do BC, Roberto Campos Neto, ao jornal Valor Econômico, na qual defendeu que a forma correta de estimular a economia é pela credibilidade da política monetária. "É importante ter credibilidade, mas a gente também tem que lembrar que as nossas revisões de crescimento para baixo não vieram acompanhadas de revisão de inflação para baixo", disse.

"O BC tenta manter a retórica de que tem de agir de acordo com o livro-texto. Porém, o que temos hoje é setor público saindo da economia sem que o vácuo seja preenchido pelo setor privado. Para isso, vai ter de cortar juro", disse o economista-chefe da Guide Investimentos, João Mauricio Rosal.

À tarde, as taxas bateram mínimas em meio à fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Finanças de Tributação (CFT) da Câmara. Ainda que o ministro não tenha trazido novidades, o tom otimista alimentou o apetite do mercado pelo risco prefixado. Entre outras coisas, disse que a reforma da Previdência permitirá ao governo adotar outras medidas, como a liberação de PIS/Pasep, que haverá movimento de redução e simplificação de impostos e que a reforma fiscal permitirá a queda dos juros.

Pelo lado externo, as declarações do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre o compromisso da instituição de "agir de forma apropriada para sustentar a expansão", indicaram, na leitura do mercado, a disposição do Fed para reduzir os juros ainda este ano, o que também contribuiu para o alívio dos prêmios na curva local.