tenório Vasconcelos, Emilio Carlos dos Santos e jeferson campos_audiência rodeio_taubaté_(Divulgação/CMT)

Tenório Vasconcelos (à esquerda), Emilio Carlos e Jeferson Campos

Divulgação/CMT

A Câmara de Taubaté realizou nesta quarta-feira (8), uma audiência pública na Câmara de Taubaté sobre o projeto de lei complementar nº 17/2016, que permite a volta do rodeio na cidade. A proposta ainda depende de parecer das comissões temáticas do Legislativo e votação no plenário.

"A luta não é do PV, mas do meu mandato. Melhor ser uma metamorfose ambulante do que ter a verdade absoluta sobre todas as coisas. Hoje, analisando melhor, entendo a importância do rodeio sem maus tratos, pela geração de emprego e renda", disse o vereador Jeferson Campos (PV), autor do projeto.

Segundo o professor coordenador de Bem-Estar Animal na Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Jaboticabal, Tenório Vasconcelos, que participou da audiência, há cerca de 1.500 rodeios no Brasil, e desses, cerca de mil deveriam ser proibidos.

Para Tenório, no entanto, se for bem conduzido, o rodeio viabiliza cuidado ao animal, geração de renda local e ações sociais, a exemplo da renda revertida ao Hospital do Câncer de Barretos, oriunda do rodeio na cidade.

"Como pesquisadores, temos que ver resultados de pesquisas, não podemos falar por 'achismo'. Em qualquer atividade, você pode ou não agredir o animal. Algumas atividades são notavelmente agressivas, como a prova do laço, que é um crime contra o cavalo. O que não pode é fazer rodeio mambembe por aí", analisou Tenório.

A vereadora Maria Gorete Toledo (DEM) apoia o projeto de Jeferson Campos e lembrou que em 2007, a Câmara negou uma proposta de proibição de rodeios em Taubaté, o que acabou acontecendo em 2008 e vigora até hoje.

"Para minha surpresa foi proibido o rodeio. Hoje, vejo que estamos lutando de novo para a liberação do rodeio, acho um avanço. Se é uma profissão reconhecida, um rodeio, bem realizado, seguro, só pode ser uma realização muito boa", comentou Gorete.

O presidente da Câmara, Paulo Miranda (PP), chamou atenção para a estrutura e fiscalização. "Temos que rever, falta fiscalização em todos os aspectos, no trânsito, no rodeio, e às vezes, essas pessoas que faziam rodeio no Marlene Miranda e Apae (Associação de Pais e Amigos de Excepcionais), não tinham a estrutura que tem Barretos", disse, se referindo a um acidente fatal ocorrido em abril de 2007, quando um peão de 27 morreu depois de ser pisoteado por um touro durante um rodeio da associação.

Alguns moradores também se manifestaram, a favor e contrário ao projeto, durante a audiência. "Antes, eu não entendia e criticava o rodeio, hoje sou promotora desse evento", disse Marcia Helena. "Presenciei cenas horríveis no rodeio de Tremembé: peão batendo no animal com pá, choque, está tudo documentado num processo no Ministério Público. Se isso não é maus tratos, o que é?", questionou Pamela Antunes.

O diretor de Relações Públicas da Festa de Barretos, Emilio Carlos dos Santos, afirmou que muitas manifestações contrárias ao rodeio são "emocionais" e sem conhecimento, mas reconheceu que o trabalho de muitos protetores de animais ajudou a eliminar rodeios amadores em todo o país.

"A Lei Federal 10.519, de 2002, disciplina o rodeio, mas não basta só a lei, precisa de regulamentação e punição para quem comete maus tratos. Não podemos ser hipócritas, qualquer atividade com animal envolve riscos", completou dos Santos.

Já o presidente do rodeio de Caçapava, Carlos Eduardo Villela, relatou que os comerciantes pedem pelo evento, para "girar a economia". Se aprovado pela Câmara, o projeto precisa ser sancionado pelo prefeito para entrar em vigor.