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Em decisões impulsivas pode bater arrependimento de ter usado o dinheiro sem prioridade

Marcus Alvarenga/Meon

A Caixa Econômica Federal liberou o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) de 472 mil trabalhadores, das 39 cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, no início deste mês. Receber o dinheiro em momentos de crise e desemprego é sempre uma boa notícia, mas tão importante quanto o recebimento é saber como usá-lo.

Há quem pretenda investir e há quem pensa em usar o valor para pagar dívidas ou fazer compras. Em algumas decisões impulsivas pode bater arrependimento de ter usado sem prioridade ou planejamento. Sugerimos uma lista de cinco passos para utilizar de melhor forma o saldo do FGTS.

Lembrei que tenho uma dívida. Devo pagá-la agora?

Os juros de qualquer dívida são maiores que o rendimento médio de qualquer aplicação financeira. Cartões de crédito e cheque especial aumentam de valor mais rápido que o saldo da sua aplicação.

Fazendo uma conta simples, considerando uma aplicação de 100% do CDI (Certificados de Depósitos Interbancários), atrelado a SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) de 12,25% ao ano, teríamos 0,97% ao mês de remuneração em uma excelente aplicação de baixo risco, sem descontar o imposto de renda na fonte de 15% a 22,5% do rendimento.

Vi uma promoção tentadora. Compro ou não compro?

Esteja preparado para promoções tentadoras e faça algumas perguntas a você mesmo:

Preciso realmente deste produto ou posso esperar?

Estou gastando uma parte ou todo o dinheiro recebido ao comprar este produto?

Há alguma outra prioridade para resolver antes desta compra?

Mobiliar uma casa com itens essenciais em falta ou se recuperar de alguma tragédia natural que causou a perda de bens duráveis são necessidades realmente imediatas. Equipamentos para trabalho, estudos ou qualificação profissional, que podem gerar um retorno a médio e longo prazo, também são uma razão justificável.

Decidi que preciso deste produto, tenho o dinheiro e está em oferta. Devo comprar mesmo?

O processo de compra deve ser minimamente racionalizado. Pesquise preços históricos do produto nos últimos 365 dias, ofertas da concorrência em sites de comparação de preços caso a compra seja feita em loja física, ter em mente que muitos preços nas lojas virtuais de varejo na internet podem ser melhores é uma grande sacada para economizar.

Quero investir para fazer um pé de meia ou me proteger de imprevistos. Por onde começar?

Deixar o dinheiro no FGTS não é uma boa opção de investimento, apesar de obter algum pequeno rendimento fixo mensal sobre o saldo do fundo.

Poupança, tesouro direto ou fundos de renda fixa são opções bem melhores que o rendimento do FGTS para o consumidor que não tem dívidas, não deixando dúvidas sobre a decisão de sacar o dinheiro agora. Outra opção para quem já tem alguma economia investida é aproveitar o momento de crise e investir 10% a 20% em fundos de ações que, em uma trajetória de retomada de crescimento, tendem a render mais que as aplicações de baixo risco.

Se bater a vontade, use uma parte do FGTS em atividades que te faça feliz.

Caso você não tenha dívidas ou nenhuma necessidade urgente de bens de consumo, investir parte dos recursos na qualidade de vida e bem- estar pessoal pode ser uma boa escolha.

Há quem necessite fazer um checkup de saúde ou quem imagine que conhecer lugares e experiências novas em viagens e programações fora da rotina possa arejar a cabeça, trazer inspiração e frutos positivos.