dinalva

Dinalva Aires Sales, 30 anos, pós-doutora em astrofísica 

Dinalva Sales/Arquivo pessoal

Qual final você imagina para a história de uma menina de 8 anos que veio com a mãe e cinco irmãos do sertão do Piauí para São José dos Campos apenas com a força de vontade da família e uma máquina de costura? De tantos destinos, o esforço a transformou em uma moça pós doutorada em astrofísica com uma bolsa de estudos da Nasa, nos Estados Unidos.

Dinalva Aires de Sales, hoje com 30 anos, conta que depois de chegar em São José, teve que ficar parte do tempo na escola e outra parte do dia na Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza), uma instituição da prefeitura que assiste, por meio de atividades sociais, educacionais, culturais e esportivas, crianças e adolescentes de baixa renda ou vulneráveis.

"Minha mãe, pai e irmãos mais velhos trabalhavam. Eu e meu irmão que éramos menores fomos para a Fundhas. Era tudo muito simples, mas ali aprendi muito, e mesmo com toda dificuldade, vivendo todos em três cômodos, fui crescendo determinada a conquistar meu lugar", conta.

Dinalva se tornou uma jovem aprendiz, trabalhou e estudou dentro dos projetos da Fundhas, de onde saiu aos 17 anos como técnica de informática. Nada parava a menina do Piauí. Da Fundhas fez faculdade de matemática, a qual pagou trabalhando em dois empregos.

No último ano de faculdade, conseguiu bolsa para mestrado e começou a pós graduação. "Eu tinha uma moto e era telemarketing. Cheguei para minha família e disse, se vocês colocarem a gasolina consigo o mestrado. E assim foi. Trabalhava de manhã, fazia o primeiro ano de mestrado à tarde e o último ano de faculdade à noite", detalha Dinalva.

A cada capítulo, os obstáculos eram deixados para trás. "Me disseram que queria demais, acharam que não conseguiria. Eu apenas seguia meu desejo de aprender. Tinha necessidade de saber mais, de me encontrar. Ao final, decidi fazer, em seguida, o doutorado no Rio Grande do Sul, onde conheci pessoas maravilhosas. Aprendi e falo pra todo mundo que você não deve ter medo de estudar fora, vá atrás que as universidades te ajudam, pesquise. Eu vim de origem pobre e nada me parou", ressalta.

Essa semana Dinalva acaba de voltar do Instituto de Tecnologia de Rochester, perto de Nova York, nos Estado Unidos. "Consegui uma bolsa da Nasa para fazer o curso de pós doutorado em Astrofísica nesse instituto. Concentro minha atuação em pesquisas relacionadas em como o buraco negro de alta massa cresceu e do que ele se alimenta. Terminado o curso estou de volta ao Brasil, onde vou continuar a pesquisa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Por hora, é onde cheguei. Mas ainda não sei para onde mais posso ir. Quando descobrir, eu vou", conclui.

Jovem aprendiz
A Fundhas todos os anos abre uma seleção interna entre os adolescentes atendidos para participarem do programa Jovem Aprendiz. E como aconteceu com Dinalva, os alunos passam por um processo de seleção e, ao final, ganham a oportunidade de trabalhar em empresas como a Embraer, Monsanto, Johnson & Johnson, Ericsson, entre outras.

Paralelo ao trabalho desenvolvido nas empresas, esses jovens fazem cursos nas áreas de assistente administrativo técnico e de formação continuada, com opções nas áreas de assistente administrativo, assistente de logística de transporte, almoxarife, recepcionista, vendedor de comércio varejista, assistente bancário, mecânica de veículos automotores e eletricista de manutenção eletroeletrônica.