Cerca de 300 pessoas acompanharam a cerimônia de abertura da 3ª RM Vale TI - Feira e Congresso de Tecnologia e Inovação na manhã desta terça-feira (18), com a presença do engenheiro Ozires Silva e representantes do poder público e instituições inovadoras no Parque Tecnológico, na zona leste de São José dos Campos. 

O encontro reúne especialistas, empresários e profissionais em busca de novas tecnologias aplicadas ao varejo, inovação nas indústrias e projetos destinados às cidades inteligentes. Entre os nomes presentes na abertura estavam o presidente do Conselho da RM Vale, Toninho Colucci, o prefeito eleito de São José, Felicio Ramuth (PSDB), o coordenador do Arranjo Produtivo Local (cluster) TIC Vale, Marcelo Nunes, a presidente do Codivap (Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba), Ana Karin, entre outros.

Em tom de crítica contra as atuais políticas públicas de incentivo à inovação, Ozires disse que o país está aumentando a dependência no mundo, que se modernizou e deixou o Brasil para trás. Ele perguntou à plateia o que falta para nivelar o país na produção de tecnologia e falou sobre a evasão de talentos para o exterior.

“Entre 2014 e 2016, o ritmo de evasão de talentos cresceu 60%, profissionais e mentes brilhantes que vão buscar oportunidades no exterior. Nenhum país pode permitir isso. Faço uma pergunta crucial a vocês: Falhamos, mas onde e como vamos tomar a iniciativa para reverter esse quadro? O que temos de fazer? E qual é o papel do nosso país? Nossa presença no mundo é mais vista como compradores e não como fornecedores de tecnologia”, afirmou.

Ozires apontou que a crise econômica que o país enfrenta está diretamente ligada aos resultados das poucas políticas públicas destinadas à ciência e educação. “Estamos vivendo uma crise que não é nossa, é do governo federal, mas somos nós quem pagamos. Nossas vendas no exterior são lideradas por commodities e matérias-primas, o custo de produção no país é alto e como equilibrar a economia diante dessa situação?”

Educação
Durante a palestra, o engenheiro e protagonista na criação do avião Bandeirante na década de 60, disse que é preciso investir na educação para a fabricação de novos talentos em toda a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e no estímulo à geração de novas tecnologias as organizações.

“Podemos considerar que a tecnologia digital pode gerar dados importantes. A competitividade das empresas depende do uso destas tecnologias, não há outra alternativa. Estamos em um mundo que o ‘avanço’ não nos espera. Por que o Brasil não avançou a partir dos passos de Santos Dumont, em 1906? Hoje, os Estados Unidos e a França dominam o mercado de aviação”, disse. “Mas São José é um orgulho, nós também fabricamos aeronaves. Mas se ficarmos de braços cruzados nenhuma diferença faremos mais”, completou. 

Ozires abordou ainda o conceito das smarts cities, falou sobre a ociosidade do aeroporto de São José, além de questionar a presença de produtos das gigantes China e Coreia do Sul no país. “Vemos produtos chineses e sul-coreanos em todas as cidades brasileiras, em quase todo o mundo, mas não há produtos brasileiros nas ruas chinesas e coreanas”, questionou.

De olho no público, Ozires mandou recado para o prefeito eleito de São José, Felicio Ramuth (PSDB). “Educação, senhor prefeito. Escreva com letras maiúsculas na sua administração. É o primeiro passo porque educação é fundamental. Vamos fazer a melhor, não só em São José, mas no Vale do Paraíba, para sermos um exemplo para o país. E para isso, precisamos de líderes competentes”, finalizou.