Filho de operários e caçula de cinco filhos, João Bosco da Silva (PCdoB) nasceu dia 16 de dezembro de 1949 em Cruzeiro. Desde a infância acompanhou protestos e greves de trabalhadores na empresa em que seu irmão trabalhava. "Foi nessa época que meu caráter foi moldado e meu perfil participativo começou", revela.

Quando começou a trabalhar, aos 14 anos, passou a agir politicamente. Em 1965 e 1966, quando fazia o ensino médio na Escola Técnica de Comércio de Cruzeiro, participou da militância estudantil, grupo de escolas formado para reivindicar a implantação de uma faculdade na cidade.

Aos 18, saiu de Cruzeiro para estudar economia em São José dos Campos. "Um dia vi uma frase do pensador francês Gabriel Deville que dizia: 'só se modifica o homem e suas estruturas, modificando o meio econômico em que ele vive'. Como já tinha feito técnico em contabilidade pensei, 'a solução está na economia'".

Em entrevista ao Meon, o atual secretário de Esportes e Lazer repassa sua vida e carreira e admite: "sou um homem público e não tenho privacidade".

Suas ações políticas começaram na época do ensino médio. O que te marcou nessa época?
Devido as minhas ações representando o movimento estudantil, fui convidado para participar do Rotary Club, uma organização mundial. Lá cuidei da biblioteca e cheguei a presidência do Interact -setor criado para os estudantes-, o que achei interessante porque eu era o pobre, negro e da periferia, mas dirigia um clube das classes média e alta da cidade.

Você largou um emprego como concursado para estagiar correto? Como isso aconteceu?
Ainda durante a faculdade passei num concurso no Banespa, mas como nunca tinha feito estágio. Senti essa necessidade e pedi demissão. Logo depois consegui uma vaga na secretaria de Economia e Planejamento do Governo do Estado.

O que aconteceu após a faculdade e o estágio?
Passei novamente em um concurso, dessa vez na Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo). Por causa de minhas participações junto a oposição, fui convidado pela primeira vez a me candidatar a vereador pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Aceitei e fui eleito.

Como foi sua atuação na Câmara de São José dos Campos? É verdade que foi perseguido pelo regime militar?
Minha atuação foi muito boa e prova disso é que fiquei por 20 anos consecutivos como vereador, de 1977 a 1996. Por fazer parte da oposição ao governo e ser da classe operária e estudantil fui monitorado pelo regime e demitido, pela oposição, do meu cargo de concursado na Prodesp.

E quando saiu da Câmara atuou onde?
Fui convidado por Robson Marinho, ex-prefeito de São José dos Campos, para ser assessor dele na Alesp (Assembléia Legislativa de São Paulo) e fiquei por cinco anos. Lá também passei num concurso e me efetivei.

Como foi o convite para assumir a secretaria de Esportes e Lazer?
O prefeito Carlinhos Almeida (PT) me convidou para assumir a Secretaria de Esportes e Lazer e, temporariamente, a da Juventude também. Como me identifiquei com o projeto do governo e havia me aposentado em dezembro de 2012, com 46 anos de carteira assinada, aceitei.

Você consegue separar a vida pública da pessoal? O que costuma fazer nos momentos que está fora da secretaria?
Não. Sou um homem público, não tem como separar e não tenho privacidade. Como sou viúvo, acabo sendo pai e mãe dos meus três filhos, Vinicius (6), Gustavo (8) e Leonardo (13 anos). O tempo que tenho fico com eles e vamos passear no shopping, assistir filme no cinema e também faço academia.

Quais os principais projetos da secretaria?
Primeiro, o Atleta Cidadão pela inclusão social que existe. O projeto criado em 1999 incentiva a prática de nove modalidades com o caráter de alto rendimento e atende 1.200 crianças que possuem acompanhamento escolar e benefícios como uniforme, alimentação e transporte. O segundo é a realização dos Jogos Abertos do Interior -principal evento da América do Sul que reúne cerca de 15 mil atletas de mais de 200 municípios- que vai acontecer em 2015 aqui na cidade, após mais de 35 anos. Vai marcar São José no cenário esportivo.