Em 2009, durante seu mestrado, o joseense e engenheiro mecatrônico Júlio Oliveto Alves iniciou um projeto para facilitar a locomoção de pessoas que possuem algum tipo de deficiência física. Agora, cinco anos depois, o equipamento, que transforma a cadeira de rodas em triciclo, foi lançado no mercado e começou a mudar a vida dos cadeirantes.

"Fiz a pesquisa de 2009 até 2011, durante meu mestrado em Engenharia Mecânica. Na apresentação do projeto, já tínhamos um protótipo e no ano seguinte fui aprimorando o equipamento", explica Júlio Oliveto Alves que não possui nenhuma deficiência física. "Meus familiares também não possuem [deficiência física]. Pensei no projeto para produzir algo que pudesse fazer a diferença na vida dessas pessoas", conta.

Logo após o mestrado, Alves registrou a patente do produto e, por dois anos seguidos (2012 e 2013), participou das edições de uma feira de reabilitação em São Paulo, em busca de empresas que pudessem licenciar a tecnologia para produzir o equipamento.

"Infelizmente, nenhuma empresa se interessou. Como acreditávamos muito no projeto, meu irmão e eu, pesquisamos sobre a viabilização do produto e decidimos abrir uma empresa no ano passado. Hoje, posso dizer que um projeto acadêmico virou um produto no mercado", conta Alves.

Em abril passado, a Livre - Sistemas Motorizados Multifuncionais, sediada em São José dos Campos, lançou oficialmente o Kit Radical Livre, durante a 14ª edição da Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade, em São Paulo.

Atualmente, a empresa já registra entregas para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e está em negociação com 35 empresas que pretendem revender o produto, inclusive o governo municipal de São Paulo.

"Também estamos com pedidos para  a Bahia, Manaus e Goiás. Hoje, a venda é feita pela nossa empresa e outras duas também revendem. Estamos conversando com a Prefeitura de São Paulo para colocarmos o equipamento no Parque do Ibirapuera para que cadeirantes possam experimentá-lo", conta o engenheiro.

Além dos pedidos, a empresa também acumula um prêmio Santander de Empreendedorismo. "Foram 20 mil projetos e nós fomos um dos vencedores. Ganhamos um aporte financeiro para investir no projeto e consultoria para melhorar os negócios da empresa. Agora em julho, por exemplo, vou para Boston, nos Estados Unidos, para fazer um curso como parte dessa consultoria", diz Alves.

O produto
O Kit Radical Livre é acoplado na cadeira de rodas e a transforma em triciclo. O aparelho tem motor elétrico e bateria de 20 quilômetros de autonomia. O equipamento é composto por uma roda dianteira, um motor elétrico - com acelerador eletrônico disponível no guidão -, freio duplo, bateria, um par de retrovisores e faróis dianteiro e traseiro.

O kit possui 10 versões diferentes, com variedade de cor, bateria, motor, velocidade e tamanho do pneu. A versão básica, com potência de 350w e roda-padrão de 20 polegadas, custa R$ 4.990. Mas o valor pode chegar a R$ 8.500, dependendo da inclusão de variedades e de uma bateria reserva.

Segundo Alves, esse é apenas o primeiro produto de outros que virão para facilitar ainda mais a vida dos cadeirantes. "Na verdade, temos o que chamamos de Kit Livre, é um kit universal que aceita qualquer equipamento. Ou seja, o Kit Radical é um dos equipamentos que o Kit Livre aceita", explica.

"Temos uma parceria com o Núcleo de Pesquisa da Unesp de Guaratinguetá e já estamos desenvolvendo o Kit Exercita (para o cadeirante fazer exercício físico, subir escada, passar por terreno irregular). O Kit Me Leva é similar ao Radical e é voltado para o acompanhante do cadeirante que tem algum problema de movimento nas mãos, por exemplo. Enfim, todos os projetos são voltados para uso em cadeira de rodas", explica Alves.

Cadeira motorizada convencional
De acordo com o joseense, a diferença do Kit Radical para uma cadeira de rodas motorizada convencional está no peso e praticidade. "Só a bateria da cadeira motorizada convencional pesa em média de 15kg a 25kg e a cadeira na maioria das vezes não é dobrável. Nosso kit light completo pesa 12kg e o Pro 20kg, além de ser mais leve e dobrável", explica Júlio Oliveto Alves.

"Sabemos que o governo tem a obrigação de oferecer acessibilidade para a pessoas, mas isso só irá acontecer a longo prazo. As pessoas precisam disso [acessibilidade] agora. O que queremos é trazer a oportunidade para socialização", completa o engenheiro.