Joseense ‘vence’ tumor e percorre 910 km em Santiago de Compostela
Maria Aparecida teve tumor no joelho e fez o caminho em 36 dias


Maria Aparecida e a amiga Nilma
Arquivo Pessoal
Maria Aparecida Fernandes, 49 anos, descobriu há três anos um tumor ósseo na perna. De lá pra cá, a joseense identificou que as fortes dores eram consequência de um tumor nos dois joelhos. Ela sempre foi adepta às atividades físicas e costumava a correr na rua ou na esteira pelo menos cinco vezes por semana.
Com a descoberta, Maria foi submetida a alguns exames. “Fui pega de surpresa. Só fiquei sabendo do tumor quando cheguei no consultório do médico, pois não tenho o hábito de ler meus exames. Na verdade, eu sempre digo ‘o que é do homem, o bicho não come’. Quando o médico constatou o tumor, me acalmou dizendo que eu não deveria me preocupar, mas que teria que ser operada”, conta.
A garra e a determinação fizeram a joseense enfrentar o processo cirúrgico com tranquilidade. O diagnóstico do exame constatou um tumor benigno. “15 dias após a cirurgia, eu já comecei a fisioterapia e com 30 já está levando vida normal, inclusive dirigindo, mas infelizmente não pude voltar a correr”.
Após o processo cirúrgico e da recuperação e começar a caminhar, a joseense realizou no final do ano passado o grande sonho: atravessar o Caminho de Santiago de Compostela, percorrendo 910km em 36 dias.
“Tomei gosto pela caminhada. Sempre tive uma queda pela peregrinação e um dia pensei: por que não Santiago de Compostela? Afinal seria um desafio e acima de tudo minha superação”.
No fim do ano passado, Maria pegou as malas e partiu com a amiga Nilma. “A viagem foi perfeita. Percorremos 910km em 36 dias. Saímos de Sant Jean Pier Port na França e fomos a Finisterra. Foram dias de muito esforço físico, pois caminhamos uma média de 25 km por dia, mas também dias de muita reflexão e revisão de conceitos e valores. Essa realmente foi uma experiência ímpar. Eu voltei extremamente renovada com muita energia boa. Hoje, o tumor ósseo é uma lembrança, mas não um impedimento. Faço acompanhamento médico e encaro a doença com normalidade. Não dá para esquecê-la, mas também não é impeditivo para continuar com uma vida normal ou mesmo anormal”, acrescenta.
Análise
O especialista em câncer ósseo Dr. Marco Mercadante, que realizou o procedimento em Maria, conta que ela é um exemplo de superação. “É uma doença que muitas vezes pode ser silenciosa e que pode ter consequências atenuadas e até a cura por meio do diagnóstico precoce. Não é segredo para ninguém que no Brasil temos um problema bastante grave com o tempo do diagnóstico, assim como com o período entre a descoberta da doença e o início do tratamento, que é muito extenso”, afirma.
“O câncer ósseo possui diversas possibilidades de tratamentos, mas ele carrega ainda o estigma da amputação e da perda de qualidade de vida, que não é verdade. A paciente Maria Aparecida é um exemplo disso. Se tratar não significa ficar incapaz e inválido. Acho bom que essa paciente sirva como apoio aos pacientes que estão iniciando um tratamento de qualquer tipo de câncer”, completa.
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