Quando foi a última vez que você usou um telefone público? Pode ter sido essa semana ou talvez há mais de três anos. Fato é que os orelhões ainda são vistos pela cidade e, mesmo com o advento da telefonia móvel, todos os anos são instalados novos aparelhos nas ruas da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte.  

Hoje a RMAVale tem 3,5 milhões de telefones celulares para 2,4 milhões de habitantes. Considerando a população com mais de 15 anos de idade, são em média dois aparelhos por pessoa. Contudo, a Telefônica Vivo -operadora do sistema de telefonia no estado de São Paulo- ainda mantém mais de 12.777 telefones públicos na região. Só em São José dos Campos são 2.719 aparelhos.

De acordo com as regras da Agência Nacional de Telecomunicações, agência reguladora do serviço no país, para cada grupo de mil habitantes, a Telefônica deve fornecer quatro orelhões. Só no estado de São Paulo existem 199 mil em funcionamento.

Dados divulgados em outubro de 2013 pela Anatel revelam que em metade dos telefones públicos do país, são realizadas apenas duas chamadas por dia. O mesmo relatório mostra que, a cada ano, cai em 40% o tráfego de ligações originadas de orelhões.

Desconectado
Para Geraldo Luis de Paula, 55 anos, celular é um item desnecessário. "Prefiro usar o orelhão mesmo. Ando com meu cartão telefônico no bolso e está bom demais", diz. O aposentado conta que desde que o celular foi lançado, não vê necessidade de ter o aparelho. "Celular só serve para te acharem quando você não quer ser encontrado. Se eu quiser ou precisar falar com alguém, ligo", conclui o homem que contraria dados da Anatel ao fazer dezenas de ligações de telefones públicos por dia.

Na banca de jornais, os cartões telefônicos já não são tão procurados como antigamente. Levantamento feito pelo Meon no centro de São José aponta que são vendidos, no máximo, 15 unidades por dia. Os donos das bancas afirmam que há menos de três anos vendiam o dobro.

A Anatel informa em nota que, apesar da constante queda na utilização do serviço de telefonia pública, a manutenção dos aparelhos nas ruas é de suma importância pois garante o acesso à população, além de chamadas gratuitas que podem salvar vidas, como no caso dos serviços 190 da Polícia Militar ou do 193 dos Bombeiros. Nos últimos dez anos, a agência aplicou mais de R$ 390 milhões em multas por falta de reparos nestes aparelhos.

Mudanças
Se por um lado as operadores de telefonia gastam para manter os orelhões funcionando e ainda são obrigadas por lei a aumentar o número de aparelhos, conforme cresce a população, de outro, a Anatel quer modernizar a telefonia pública e otimizar seu uso.

Para isso, a agência pretende realizar em julho de 2014, uma consulta sobre a universalização da telefonia pública. O PGMU (Programa de Geral de Metas para Universalização) vai tratar temas como a densidade, quantidade, entre outras funcionalidades dos orelhões no país.

Serviço
Caso acabe a bateria ou o crédito de seu celular, o aparelho pife, ou você simplesmente esteja num momento retrô e queira fazer uma ligação do orelhão, o site da Anatel disponibiliza um serviço chamado Fique Ligado, um localizador que mostra a relação de telefones públicos mais próximo da sua casa.