Desenho em aquarela do Tiê sangue, o da frente é o macho e o que está mais pra trás é a fêmea (Prisicila Fernandez/Arquivo Pessoal)

Desenho em aquarela do Tiê sangue

Priscila Fernandez/Arquivo Pessoal

Na correria do dia a dia são os hobbies que ajudam a relaxar e esvaziar a mente e um deles é o de observação de pássaros. Principalmente na nossa região, quem escolhe admirar as aves não precisa de muito esforço para encontrar um belo exemplar.

Isso acontece porque Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira possuem alguns dos melhores pontos de observação de pássaros do Estado.  O ecólogo Elson Fernandes de Lima explica o motivo: "Nas áreas em que o grau de conservação é bastante avançado tem mais aves, tanto aquelas comuns quanto as ameaçadas de extinção. Na região, temos várias áreas de floresta que estão bem conservadas, por isso, se tornam excelentes pontos de observação de pássaros".

O ecólogo trabalha na Casa da Floresta, que presta assessoria ambiental para diversas empresas no Brasil, entre elas, a Fíbria, detentora de diversas áreas de floresta de preservação ambiental. Analista ambiental da indústria, Camila Silva Oliveira explica que o melhor horário para a observação dos pássaros é quando o sol está nascendo. "Pra observar as aves é preciso vir bem cedinho, quando o sol nasce as aves acordam com ele e fica mais fácil encontrá-los".

Porém, os especialistas neste tipo de observação revelam que nem sempre é possível enxergá-las, muitas vezes o observador vai ter que se contentar em apenas ouvir o canto delas. "A maior dificuldade na observação de pássaros é realmente conseguir vê-los, muitas vezes para fazer levantamento de espécies precisamos confiar mais nos ouvidos do que na visão", explica Lima.

Desenho
A ilustradora Priscila Fernandez foi além da prática da observação e aproveita para registrar as espécies em desenho. "A nossa região é muito rica para observação de aves. Para mim, são todas lindas, até uma ave como o urubu eu acho bonito! Mas as que mais me chamam atenção são o Tiê-sangue, Pavó, Maria-leque, Saíra Viúva, Borralhara-assobiadora, Tesourinha da mata e o Beija-flor-de-orelha-violeta. E toda vez que vou ilustrar uma espécie me encanto com a beleza, pois é aí que presto atenção nos detalhes e vejo o quanto são lindas", conta Priscila.

"Cada vez que você sai é diferente, você sempre está em contato com algo novo e isso é um desafio, você aprende a ter paciência, a estar tranquilo e atento, seus sentidos ficam mais aguçados.  O legal é não sair com muita expectativa, assim a “passarinhada” é sempre boa", conta Priscila.

Nas áreas da Fíbria já foram encontradas 407 espécies de aves. Dessas, 23 constam na lista de espécies ameaçadas de extinção do Estado de São Paulo, como Araponga, Pixoxó, Azulão, Águia-cinzenta, Papagaio-verdadeiro, e outras.  E 109 espécies que só existem em regiões específicas da Mata Atlântica. O Núcleo de Educação Ambiental da empresa é aberto para a comunidade.