samu_2

O médico Júlio (esq.) e o socorrista Leandro (dir.), que trabalhou por  2 anos no Samu

Reprodução/Arquivo Pessoal

Um médico e dois socorristas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram demitidos por resgatarem um cachorro que estava perdido na avenida Francisco Alves Monteiro, em Taubaté. O resgate aconteceu na manhã desta segunda-feira e no final da tarde a equipe foi dispensada.

Os dois socorristas alegam ter sido demitidos por justa causa. O médico era contratado como prestador de serviço (PJ).

Os três funcionários do Samu contaram ao Meon que tinham acabado de sair de uma oficina para manutenção da viatura quando, no caminho para a base da corporação, uma mulher, um motoqueiro e um caminhoneiro que estavam parados em um viaduto na avenida, solicitaram ajuda da equipe. 

“Nós não estávamos atendendo ocorrência no momento. Tínhamos levado a viatura para manutenção. Quando vimos a senhora pedindo ajuda achamos que poderia ter sido um acidente e paramos para avaliar. Vimos que era um cachorro da raça Yorkshire que estava perdido. Ele tinha identificação na coleira e o número do dono. Como a base é perto do local, levamos o animal dentro da viatura no colo. Não podíamos deixar ele lá”, contou o socorrista  Leandro Miranda, que trabalhava no Samu havia dois anos.

O médico Júlio César Moreno disse que entrou em contato com o dono do animal e a família estava preocupada. Ele confirma que transportaram o cachorro na viatura e que nunca foi apresentado regulamento à equipe informando a proibição do transporte de cães na viatura.

"Nunca foi passado para nós que não poderíamos ajudar e transportar o animal, minha consciência está tranquila, eu não podia deixar o cachorro lá e fingir que nada aconteceu”, disse Júlio.

Outro membro do grupo, que não quis ser identificado, disse que se preocupou muito em evitar um acidente no local.

“O cachorro estava perdido, se soltássemos em outro local, ele poderia ser atropelado e causar um acidente. Nós nos deparamos com uma situação atípica. O animal é uma vida e nós lidamos com vidas, não podíamos deixar ele lá,” concluiu.

Outro lado

A Prefeitura emitiu uma nota do Instituto Esperança, explicando a situação. Confira na íntegra. 

"Isto contraria a portaria 2.048/2002 do Ministério da Saúde, que estabelece
normas e procedimentos de operação na área de urgência e emergência,
além da operação de ambulâncias tipo UTI. Além disto, em nenhum momento
houve contato da equipe com a base do Samu para a solicitação de
informações ou conduta diante do ocorrido. O Instituto Esperança informa
ainda que não haverá prejuízo ao atendimento da população. Foi feito um
remanejamento de funcionários para a operação desta unidade e as vagas
dos funcionários serão repostas com novas contratações."