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Músicos (foto), artesãos e pintores são todos moradores do bairro

Divulgação

Uma feira diferente movimentou o Parque Alambari, no bairro Campos de São José, zona leste de São José dos Campos, no último sábado (19). Contando com 21artistas entre músicos, pintores e artesãos, a Feira de Saberes e Fazeres – Trecos e Tarecos foi totalmente realizada pela população do bairro: desde a organização do evento até a produção dos trabalhos expostos.

Além da venda de produtos feitos pelos próprios moradores, a feira também contou com a presença de uma dupla de violeiros residentes do bairro. Outros quatro vizinhos ajudaram na organização e seis jovens registraram tudo em fotos e vídeos.

Mais importante do que o valor financeiro arrecadado ou até mesmo as 150 pessoas que passaram pelo evento, foi a valorização da cultura popular presente no bairro. O evento, que aconteceu entre as 10h e as 14h, é o primeiro resultado do Projeto Ecomuseu Campos de São José, que é desenvolvido pelo CECP (Centro de Estudos da Cultura Popular) e patrocinado pela Petrobras.

Desde o mês de julho, o programa realiza reuniões com moradores do bairro onde cada participante divide suas habilidades artísticas. Com o passar do tempo, os encontros foram tecendo a grande colcha de retalhos que é o cenário cultural da localidade.

"O Campos de São José é um bairro com forte influência de migrantes de várias regiões do país, principalmente do Nordeste e de Minas Gerais. Com o passar das reuniões, as pessoas foram entendendo que aquele balaio de bambu que ele sempre fez em casa, artesanato de argila, ou fuchico que fazem parte daqueles fazeres cotidianos, são manifestações artísticas e devem ter sua representatividade", explica a coordenadora do projeto Maria Siqueira Santos.

Ecomuseu
O projeto vai de encontro com o conceito de Ecomuseu, que, apesar do nome remeter a qualquer ação de sustentabilidade, é, na verdade, todo aquele trabalho que visa valorizar e estimular o patrimônio cultural de cada morador. Desta forma, garante Maria, os próprios moradores despertam para a consciência da coletividade e de que o desenvolvimento do bairro não é apenas encargo do poder público.

"A ideia é de fortalecer esse sentimento comunitário para que o bairro possa 'andar com as próprias pernas' depois que o projeto terminar (em 2017)", explica a coordenadora.

Mensal
Depois do sucesso desta primeira experiência, a feira agora passa a acontecer todos os meses. Uma conquista para a construção de um conceito de comunidade que o projeto vem ajudando a florescer no bairro.

"É um sentimento que vai crescendo a medida que as pessoas vão se conhecendo melhor e entendendo que, juntas, podem mobilizar melhorias sua comunidade", conclui.

As reuniões são registradas no blog do projeto, que também traz novidades e programação. Outro canal para se informar sobre as atividades é a página que o programa mantém no Facebook.