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Pintura "No Cafezal", de Georgina Albuquerque integra o acervo da Pinacoteca

Divulgação

A historiadora taubateana Rachel Abdala está obcecada pela trajetória de duas personalidades femininas de Taubaté que mexeram com o cenário nacional das artes no século 19: a fotógrafa Remedica Falco e a artista plástica Georgina Albuquerque. Doutora em educação e professora do curso de História da Unitau (Universidade de Taubaté), Rachel vai passar o ano aprofundando-se nas histórias de ambas, em trabalho que renderá publicação de um artigo científico no final do ano.

Por que tanto entusiasmo? De acordo com a acadêmica, as duas personalidades carregam em suas trajetórias a busca pela afirmação da mulher em um cenário predominantemente machista à época. Assim como Frida Kahlo, Anita Malfati, Tarsila do Amaral e tantas outras contemporâneas, as artistas taubateanas também precisaram passar por cima da desconfiança tanto do público quanto da crítica da época para ganhar notoriedade com seu trabalho.

"Eu pesquiso sobre a história da fotografia e me interesso muito pela história da arte. Essas duas personalidades me chamaram a atenção justamente por serem eclipsadas por figuras masculinas que sempre ofuscavam o brilho próprio de seus trabalhos. E isso não foi o bastante para fazer com que ambas deixassem de seguir desenvolvendo sua arte", diz Rachel.

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Historiadora Rachel Abdala

Arquivo Pessoal

Georgina de Albuquerque nasceu em Taubaté, em 1885, e chegou a ser presidente da Escola Nacional de Belas Artes em 1952, a primeira mulher a ocupar o cargo. A artista é considerada pioneira do impressionismo brasileiro, estilo que quebrava a rigidez acadêmica predominante no país e que preparou caminho para o movimento modernista.

"Georgina tinha na figura do marido, o pintor piauiense Lucílio de Albuquerque, um parceiro de artes, mas também uma sombra com a qual teve que conviver para se firmar no exigente e machista mundo das artes na época. Mesmo assim, a pintora ocupa lugar de destaque na arte brasileira. Georgina expôs em importantes salões do Brasil e do mundo e seus quadros atualmente estão espalhados por diversos museus do país, inclusive o de Taubaté", explica.

Retratos
Já no caso de Remedica, nascida em 1889, o desafio foi vencer as comparações com o pai, o retratista e artista plástico Gaspar Falco. A família veio da Argélia meses depois do nascimento da fotógrafa. Em Taubaté, os Falco foram responsáveis por montar o mais bem-sucedido estúdio fotográfico da região entre o final do século 19 e início do século 20.

"Gaspar Falco foi ator, cantor, pintor e fotógrafo. Foi também professor de desenho e pintura. Então você imagine a dificuldade que Remedica teve para provar-se em meio a todas as cobranças e comparações em cima de seu trabalho. Mesmo assim, isso não impediu que sua atuação como fotógrafa retratista, que exerceu durante 50 anos, alcançasse um alto nível de excelência", explica a professora.

Pesquisa
O trabalho de pesquisa sobre os fatos que marcaram a vida das duas mulheres ainda está no início. Documentos, arquivos, correspondências e trabalhos publicados são o ponto de partida para contar a história de Georgina e Remedica.

"Estou levantando material em diferentes lugares. O Museu da Imagem de do Som, o Arquivo Público e a Biblioteca de Taubaté, assim como a Pinacoteca de São Paulo e a Escola de Belas Artes, serão minhas principais fontes de pesquisa", conclui.