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Trabalho escancara influências díspares da artista

Letícia Kamada/Divulgação

Paulistana, espanhola, japonesa, francesa, senegalesa. A cantora Ligia Kamada existe na diversidade étnica que carrega tanto em sua herança genética quanto em suas andanças pelo mundo. Depois de viver a ebulição de cinco anos em Barcelona e outros dois em Paris, foi na pacata Monteiro Lobato que a artista encontrou o ambiente ideal para coordenar as ideias e produzir seu primeiro trabalho solo: “Yermandê”.

O álbum de nove músicas traz um compilado das experiências compartilhadas com diferentes etnias que, no disco, revelam-se como grandes influências musicais para a cantora. Nessa atmosfera, o título em wolof, dialeto senegalês, cai sem indícios de estranhamento. Yermandê, explica Ligia, significa compaixão.

Embora o apelo regional de “Aqui na Roça” ou a levada caribenha de “Atento”, parceria com poeta Arruda, ofereçam momentos de descontração, trata-se essencialmente de um disco encorpado. Na maioria das canções o baixo é carregado os metais, tocados por Daniel Gralha, músico do Bixiga 70, penetram em acordes alongados. A percussão, uma das marcas de Lígia, é bastante presente. Há, aqui e ali, um ou outro arranjo eletrônico que recheiam o som e melhoram a experiência.

“Todo o processo de composição das músicas e de realização deste trabalho fez parte de um caminho de reconexão. Reconexão com o país, com as questões da natureza e com minha própria identidade, que carrega em si todas essas influências díspares apresentadas no álbum”, comenta.

Independente
Produzido de forma independente por Cris Scabello e Marcelo Dworecki, o CD já fica disponível em canais de streaming, como Deezer e Spotfy, a partir desta quinta-feira (25). Quanto ao espetáculo de estreia, os joseenses terão de esperar um pouco mais.

“Já temos agenda com alguns lugares aqui da cidade, mas ainda não batemos o martelo. Por isso prefiro esperar um pouco para divulgar a data desses shows com mais precisão”, explica.

Além de seu trabalho solo, Ligia também é vocalista da banda Salvem as Kamadas Líricas, que coincidentemente também prestes a lançar seu primeiro álbum, “Entre”. A cantora ainda integra o Duo du Vent com o violonista Diogo oliveira.

“São trabalhos bem distintos e tento não misturá-los com minhas composições. Claro que um ouvido mais atento vai perceber alguns elementos como semelhança, já que tratam de projetos paralelos. Mas o objetivo é não misturar as coisas”, conclui.