neto_sintese_divulgacao

Das rodas de rap no RMVale para os palcos do Brasil

Divulgação

Nascido na década de 60 na Jamaica e criado às margens da sociedade americana, o rap é mais do que um gênero musical: é o discurso de uma geração. Sempre abordando temas que incomodam os mais conservadores, o rap se tornou popular por contar a realidade do subúrbio, questionar valores coletivos e citar os sonhos de quem o escreveu. O sexto dia da série em comemoração ao Dia do Músico (22) chega com o ritmo e poesia desse gênero que se tornou tão popular e para representá-lo o Meon bateu um papo com o Síntese, nome de peso no cenário do rap nacional. 

O Síntese foi formado em 2008 por Gestério Neto e Leonardo Irian, que compunham rodas e eventos alternativos em São José dos Campos, mas foi em 2012 com o lançamento do álbum "Sem Cortesia" que a dupla chamou a atenção, mas no mesmo ano resolveram deixar o mundo da música. Já em 2013 Neto resolveu que era hora de voltar ao cenário musical e retomar sua paixão, compondo rimas que conquistaram todo o Brasil. O Síntese já fez parcerias com grandes nomes do rap como Projetonave e Criolo. Confira a entrevista com esse grande nome:

 Como o Síntese se formou?

Desde 2008, Leonardo Irian e Gestério Neto faziam rap juntos. Em 2010, quando o projeto ganhou nome e passou a ser tratado com uma seriedade maior. Em 2012 o grupo lançou o álbum duplo "Sem Cortesia" e abandonou os palcos. Em meados de 2013 o Neto retomou o projeto, dando-o uma nova roupagem e um novo rumo.

Qual o primeiro contato com o rap?

Meus primos eram BBoys. Na minha infância, meados de 1999, me apresentaram o "Sobrevivendo no Inferno", do Racionais MC's, e a coletânea "Espaço Rap Vol. 1".

Quais suas maiores inspirações?

No rap? Depois do Léo, Mano Brown e Black Alien. Na música? Jorge Ben, Milton Nascimento, Falcão, Bob Marley e Elis Regina. Mas minha maior inspiração é o dia a dia. A sabedoria dos comuns.

Como você vê a cena do rap nacional em especial no Vale do Paraíba?

Tá tendo mais público e bastante festa. Mas ainda é bem difícil pra quem vem daqui. Estamos vivendo um tempo confuso, de mudança de era e isso reflete em tudo. Torço muito pra que surjam MCs mantendo as raízes, honrando a cultura, e conseguindo trabalhar dignamente a sua música a partir de uma ideologia sincera e um sentimento verdadeiro. Como o Hip Hop nos ensinou e como se faz necessário nos tempos que vivemos.

Como você vê o mercado da música ? É possível viver só de música?

Vejo o mercado cada vez com menos alma. É possível, mas o maior desafio é continuar com a mesma sede de mudança, evolução do nosso povo; e expansão da consciência humana.

O que você pode falar para quem está iniciando a carreira no rap?

Sejam sinceros consigo mesmos. E ouçam a Família Matrero.

Qual sensação de tocar nas cidades do Vale do Paraíba? Você percebe alguma diferença no público?

O Rap no Vale é bem unido. Gosto muito de tocar por aqui, sinto como se fosse todo mundo parte da minha família. Mais do que em outros lugares que visito. Esse solo é muito especial, tem gente muito sensível aqui e sempre disposta pra absorver a mensagem de consciência e viver um momento profundo de comunhão.

Qual a sensação de ver o público se emocionando e cantando suas rimas?

Gratificante. Sempre sonhamos em juntar corações expressando nossa verdade através da nossa arte. Ver isso forma, principalmente na minha torrão natal, é uma injeção de ânimo pra seguir espalhando coisas boas pelo universo.

Quais as expectativas para o futuro e quais os projetos para o próximo ano?

Quero lançar o quanto antes o SAKT, um EP feito em parceria com Kiko Dinucci, Tiago França e Akillez que já tá gravado. E quero também, soltar o tão aguardado (por mim) segundo álbum do Síntese, que é o trabalho da minha vida.

Escute o som do rapper que vem fazendo sucesso no cenário musical: