Por Mateus Paulo de Lima Em Blog e Colunas Atualizada em 31 MAI 2021 - 15H44

Por uma dose de respeito

A vacinação contra a Covid para PCD

Oi gente. Primeiramente, uma retificação. Até o presente, para designar o gênero que antecede o termo PCD, referente a pessoas com deficiência, eu tenho usado “o PCD”, quando o artigo adequado deve ser “a PCD” ou “as PCD”. Isso porque a vogal em questão, ou seu plural, está precificando a palavra pessoa, tido como substantivo feminino “as pessoas com deficiência”. Obrigado ao amigo leitor Victor Braga pela observação.

Nas últimas semanas, o assunto mais buscado nos ambientes virtuais, se referem a pandemia e a questão da vacinação urgente das PCD. Então, somando esforços, também façamos deste o nosso tema para hoje. Existe nas redes sociais, diferentes grupos de pessoas com deficiência engajadas na causa pela priorização deste coletivo junto ao plano nacional de imunização, exigindo, para todas as esferas governamentais, a imprescindível contemplação de deficientes no recebimento da vacina contra a COVID19, o Corona Vírus.

Por envolver contraditórios como oferta e demanda, vida e morte, “políticos e bom senso”, a problemática torna-se tão sensível quanto atual. Entendendo que a proposta resolutiva para essa questão passa, em grande parte, pela política, pelas decisões afirmativas dos chefes de governo de todas as esferas, proponho uma análise crítica que não eleja partidarismos, nem ideologias, entretanto, uma leitura que não se furte aos fatos. Por mais que a racionalidade esteja conflitante entre gerência e ciência, ainda que tênue, tentemos encontrar uma linha debatível. Construir um espaço onde a discórdia seja producente ou, pelo menos, silenciosa. Aqui, o mais relevante é saber que há vários prismas a serem considerados.

Sobre priorizar a PCD, vaciná-la ou não, subdividi-las por grupos ou faixa etária, é tematizar, encontrar soluções eficientes e salvar vidas. A pauta dessa discussão deve se alicerçar na importância de levar à sociedade a informação de que, dar vez também à PCD, não representa privilégio algum.

De igual modo, essa classe não visa tirar proveito de suas vulnerabilidades. Priorizar vacinação para deficientes físicos significa saber tratar iguais como iguais, respeitando o limite de suas diferenças. Pensemos: é o cadeirante que precisa interagir com seu instrumento de locomoção, se expondo mais ao contato com o ambiente. O cego que, indiscutivelmente, se vale do tato em praticamente tudo o que faz em seu dia a dia. Há ainda os que, para sobreviver, usam muletas, órteses ou próteses, e que consequentemente, também se fazem mais vulneráveis. Embora condicionados, todos nós, a quarentena e isolamento, inclui-se também, inevitavelmente, a maior constância deste público em ambientes farmacêuticos e hospitalares. Até os fatos, são muitos os argumentos cabíveis. No entanto, o importante está na urgente imunização desse público, pensando, inclusive na proteção de todos ao seu redor.

Observa-se que, em alguns estados do Brasil, dentre eles, São Paulo, a falta de vacinas obrigou gestores a necessidade de definir grupos prioritários. Essa escolha exigiu a adoção de critérios de seleção. O principal deles, o fator idade, foi a base que norteou as demais decisões. Por exemplo, o critério da renda, a imunização disponibilizada para quem recebe o BPC, o benefício de Prestação Continuada do governo. Polêmico, inacreditável, remediativo, injusto, no entanto, se não tem vacina para todos, embora haja culpados, sim, é o recurso mais eficiente quando o desígnio está na redução das vulnerabilidades.

Desde o início dos alertas pandêmicos, são razoáveis as críticas sobre a necessidade de que o Brasil tivesse investido massivamente na ciência colaborativa, nadiplomacia, na prevenção, no financiamento de pesquisas e na pedagogia da educação pela preservação da vida. Mas é fato, amplamente divulgado, que isso não aconteceu.

Até o presente, não houve uma direção técnica satisfatória. Pelo contrário, no Brasil, o que se observou sobre a pandemia, foi um desentendimento  ideológico, conflitante no sentido administrativo e letal no sentido humano. Para milhares de vidas que já se foram, agora é tarde, a imunização não chegou, não houve tempo. Esperemos agora pela remediação e que venham dias melhores. Dúvidas, sugestões ou críticas, contate escrevereincluir@gmail.com, e vamos juntos construir um debate saudável e inclusivo.

Escrito por
Mateus colunista
Mateus Paulo de Lima

Professor e pessoa com deficiência visual

Graduado em pedagogia. Pós graduado em: Ciências Sociais pela PUC Rio e Políticas Públicas pela PUC DF

Atuou 10 anos como professor da rede estadual do Estado de Rondônia nas disciplinas de Sociologia, Filosofia e Educação Especial

Atualmente trabalha com palestras motivacionais

escrevereincluir@gmail.com

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