Por Amanda Evelyn Em Blog e Colunas Atualizada em 07 JUL 2022 - 11H26

Vale Ressaltar #10 – João Felipe Gouvêa

"Eu ensinava meus irmãos quando era menor, eu não queria que a música fosse só minha, eu queria passar para as pessoas", diz o músico

Fernando Yokota
 Fernando Yokota


João Felipe Gouvêa é músico, professor de Musicalização Infantil e artesão. “Sou um grande entusiasta dentro dessas coisas que eu gosto muito, principalmente a música e todas as suas ligações com a evolução humana e todo o bem que a gente pode fazer com ela”. Apesar de sua família ser muito musical, ninguém era músico profissional de fato, porém João teve seu primeiro contato com a música com pessoas de sua família: seu pai – que sempre ouvia vinil - e seu avô, que levava o neto para cantar. “Meu avô dizia que eu era o canarinho dele. Lá em Cruzeiro, minha cidade natal, ele me levava para cantar quando eu tinha apenas 2 anos. Eu ficava cantando músicas de 1930 no meio do pessoal e isso chamava atenção para o meu avô e ele adorava que chamava atenção pra ele.” conta. Sua curiosidade em relação à música foi aumentando ao longo do tempo e ele diz que era o tipo de criança que ficava travada ao assistir as pessoas tocarem ao vivo. Aos seus 11 anos começou a aprender a tocar violão com um amigo de igreja, porém o artista conta que fez só um mês e meio de aula, o restante aprendeu sozinho.

Vinicius Giffoni
Vinicius Giffoni

João montou sua primeira banda e fez seu primeiro show em Cruzeiro aos 12 anos de idade e desde então a música nunca mais saiu de sua vida. Aos 13 anos, João se mudou para São José dos Campos para estudar na ETEP e participou de outras duas bandas de Emocore e Hardcore. Apesar de João já tratar a música com seriedade, sonhando e planejando uma carreira futura, seu pai não era muito a favor. “Quando eu falei que queria ser músico, meu pai foi contra, falou que não dava certo, que não era o tipo de coisa que poderia pagar contas. E isso foi uma das coisas, eu acho, que mais me motivou a continuar. Eu não conseguia entender que algo tão precioso para o ser humano, não poderia ser rentável.” E hoje, ele diz que as coisas são diferentes: “Hoje meu pai não só apoia, como ele pira com o meu trabalho.”

João também já trabalhou como técnico em informática para poder juntar dinheiro e viajar para São Paulo, em que montou a banda Evolua, estudou Produção Musical e foi produtor da banda Leela por mais ou menos um ano e meio (além de ter trabalhado também com bandas como Charlie Brown Jr, Tihuana e Raimundos que, na época, participaram de um dos eventos em que o Leela estava). Com o passar do tempo, o Evolua se separou e João conheceu o ator Rodolpho Pinotti e em 2010 eles montaram a Cia dos Homens de Palha que mistura circo e teatro de rua. “Foi na mesma época que eu olhei para a música e para o ensino de música de uma maneira profissional. Eu ensinava meus irmãos quando era menor, eu não queria que a música fosse só minha, eu queria passar para as pessoas. Quanto mais pessoas envolvidas com a música, mais felizes elas ficariam. Então eu tive o primeiro contato profissional como professor de música em 2010, em que virei professor de Musicalização Infantil e isso para crianças muito pequenas, na primeira infância. O teatro e o circo, nessa época me ajudaram muito com a parte lúdica, que é usar a música de forma terapêutica e como forma de evolução humana de um ser humano em seus primeiros anos de vida.” relata. Em 2012, João foi convidado para tocar na banda de Metalcore, Noah, de São José dos Campos, que acabou chamando atenção fora do país. Já em 2013, o músico se mudou para a Holanda em que pôde lançar carreira solo, fazer shows, clipes, músicas novas e tocar por cinco países na Europa. “Essa viagem mudou minha vida, só me mostrou ainda mais que a música é uma linguagem universal.” diz. E apesar de querer permanecer no país, seus estudos com a Musicalização Infantil o trouxeram de volta ao Brasil para continuar aplicando aqui o que tinha aprendido de novo no exterior. “Trabalhar com criança é ser exemplo, então isso faz com que eu queira ser um ser humano melhor a cada dia.”

Há quase 4 anos, João integra a banda BIKE que toca Rock Psicodélico e que já tocou em mais de 14 países. “Estamos trabalhando no quinto disco que deve vir após a pandemia.”, ressalta.

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Quando perguntei a importância da arte durante a pandemia, João me respondeu que a arte nos ajuda a manter a sanidade: “Ter acesso à música em uma situação dessas, ajuda a gente a entender que a vida ainda é bela. E se não é, ela pode ser.” João ainda agradece ao espaço que o Meon tem reservado para divulgar os artistas regionais: “Eu acho legal essa preocupação em ter uma pessoa para falar sobre a história do artista daqui e enaltecer a história dele, afinal, a nossa região tem muita gente boa, produzindo material de qualidade.”

#ValeRessaltar João Felipe Gouvêa que, seja viajando pelo o mundo com seus trabalhos autorais de altíssimo nível ou trabalhando com as crianças, sempre utiliza o poder e a força da música como uma das principais formas de evolução humana e da busca de uma boa qualidade de vida.

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