Por Renan Simão Em Brasil & Mundo

"O Menino e o Mundo" é atração no Sesc São José

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Temas como industrialização aparecem em aventura de menino à procura do pai

Divulgação

O Sesc de São José dos Campos exibe nesta quarta-feira (19), às 15h, a animação "O Menino e Mundo", de 2013. A sessão do filme de Alê Oliveira ("Garoto Cósmico") é gratuita e conta a história de um menino que, à procura do pai que embarcou num trem, vai descobrir um mundo muito diferente do que imaginava.

Alê Oliveira conversou com o Meon por e-mail enquanto divulga o filme pelos Estados Unidos e Europa. "A recepção tem sido incrível", diz. "As pessoas, crianças e adultos, têm muita vontade de expressar o que sentiram com o filme". No ano passado, o filme teve menção honrosa no Festival do Rio e foi o melhor filme do prêmio da juventude do Festival de São Paulo.

Tida pela crítica como uma animação fora dos padrões do mercado cinematográfico, "O Menino e o Mundo" insere uma trama com poucos diálogos, traço autoral -que dispensa cópias de computação gráfica- e críticas ao capitalismo na saga do menino que busca o pai.

Ao longo do caminho, o Menino -antes uma criança do campo-, se depara com processos de industrialização, urbanização e desigualdades sociais num universo quase autodestrutivo. Emicida, Naná Vasconcelos e o grupo Barbatuques impulsionam essa aventura em que o som é importante fio condutor da narrativa.

As cores se destacam à primeira vista, mas Alê lembra o papel do branco na narrativa: "O branco é como uma folha vazia, algo que será preenchido", conta. "O branco também é símbolo do metafísico, e sua presença quase espiritual ao longo do filme reforça a ideia de que o mundo é algo muito pequeno e limitado, cercado do desconhecido de onde viemos e para onde vamos".

Abaixo, leia a entrevista com o cineasta Alê Oliveira:


Como está sendo a recepção do filme aí no exterior?
A recepção tem sido incrível. Aqui em Nova York houve um debate após a sessão e as questões que surgem são muito parecidas com as do Brasil. Na saída, fizeram uma fila para falar com a gente. As pessoas, crianças e adultos, têm muita vontade de expressar o que sentiram com o filme. De Nova York iremos a Lisboa. O filme será exibido na abertura do Monstra -festival de animação. Depois seguimos o Festival de Animação da Holanda, em Utrecht. Em seguida, o filme será exibido na Cinemateca de Bolonha, durante a Feira do Livro Infantil. Em breve, o filme será exibido também em Festivais em Munique, Chicago, Argentina, República Tcheca e França.

Críticas do filme atentaram para os poucos diálogos. Como os sons e a trilha sonora (Emicida, Naná Vasconcelos, Barbatuques) se inserem na história?
Sim, o filme teve uma crítica altamente positiva, e recebemos muito elogios pelo fato de um filme sem diálogos conseguir segurar tanto tempo os espectadores de todas as idades. Sem dúvidas, a música assume um papel importante de "narradora" desta história. Fizemos o animatic usando músicas prontas como referência, e para a construção das cenas, seu ritmo, tom, etc. Aquela altura já tínhamos a ideia de tratar a trilha do filme como um corpo sonoro, onde música, ambientes e sons se cruzariam e se misturariam, quebrando alguns limites que tradicionalmente encontramos nos filmes. Em relação à música, primeiro encontramos o tema mais simples da flauta, que abre e encerra o filme. Todos os outros temas foram criados a partir dele. Uma característica importante da criação musical é o fato de ela ter referência de diversos ritmos e estilos do mundo.

Existem críticas ao capitalismo na história, na industrialização, globalização, individualismo. Como tornar esses conceitos atraentes para o público infantil?
Não fiz o filme pensando em determinado público. Apenas no final da produção, e por uma questão de estratégia de marketing para o lançamento, é que começamos a pensar qual seria o público ideal para o filme. Uma pesquisa apontou que as crianças de 6 a 12 anos são um público muito importante. Mas eu acho que é um filme para todas as idades. Se o filme saiu atraente também para as crianças foi algo que aconteceu naturalmente.

Qual foi a ideia principal para o uso das cores do filme?
Uso as cores de maneira muito intuitiva, como na pintura. Pensado mesmo foi o uso dos brancos neste filme. O branco é como uma folha vazia, algo que será preenchido, como uma criança ao chegar ao mundo e começar a absorvê-lo em forma de conhecimento. O branco também é símbolo do metafísico, e sua presença quase espiritual ao longo do filme reforça a ideia de que o mundo é algo muito pequeno e limitado, cercado do desconhecido de onde viemos e para onde vamos.

Para muitos esse é um filme para crianças e para adultos. O projeto inicial e o resultado previam essa recepção para os dois públicos?
Como disse, não fiz o filme visando um público determinado. Estas são questões de mercado e não deixo a obra se contaminar com elas. É claro que depois que o filme está pronto precisamos saber para quem ele será direcionado em seu lançamento, otimizando gastos de marketing, publicidade, etc. O filme tem sido recebido muito bem por adultos e crianças de todas as idades.

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