Por Renan Simão Em Cultura

Cavalhada de Catuçaba completa 160 anos no Revelando SP, em São José

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Cristãos (azul) e mouros (vermelho) se enfrentam num teatro luso-católico

Divulgação/ReinaldoMeneguim/RSP

Uma representação teatral que mostra a fé católica em uma guerra portuguesa do século 15 acontece há exatos 160 anos em Catuçaba, distrito de São Luiz do Paraitinga.

A Cavalhada de Catuçaba, que vai ser realizada no dia 11 de julho, às 16h, em São José dos Campos, é uma das atrações do Revelando São Paulo, projeto que reúne tradições populares do Vale do Paraíba no Parque Municipal Roberto Burle Marx, o Parque da Cidade, em São José, entre os dias 9 e 13 de julho.

A criação do teatro de enfrentamento entre os exércitos cristãos e mouros montados a cavalo (vencido pelos europeus) foi determinada pela Rainha Isabel, a mãe da princesa que determinou a abolição da escravidão no Brasil, que só conseguiu engravidar depois fazer preces ao Espírito Santo. Como os cristãos venceram, sua promessa de instituir a cavalhada em nome da fé cristã foi cumprida em todo o território português.

"A cavalhada chegou em São Luiz porque tinha muito português aqui e chegou a Catuçaba, na zona rural, porque quem fazia o teatro eram os grandes fazendeiros e lá tinha os estábulos, os domadores de cavalos", conta Carlos Roberto Ritzdorf Ferreira, 48 anos, representante comercial e um dos atores.

Carlos é contra-mestre do exército cristão, um lugar abaixo do mais alto escalão da cavalaria que é liderado por Lauro de Castro, 80 anos, o rei cristão, e Renô Martins, 74 anos, o rei mouro. Como na estrutura bélica, a hierarquia sempre privilegia os mais experientes.

O confronto
Os espectadores do Revelando São Paulo vão ver 12 cavaleiros cristãos e 12 mouros em confronto, num teatro equestre. A encenação tem fases de perseguição, evoluções em xis, e, como descreve Carlos, acaba na "estratégia do caramujo, uma manobra de guerra que forma uma roda para pressionar o inimigo e vencer a batalha".

Após o golpe de misericórdia, o rei mouro se rende, concorda em ser batizado na fé católica e, como festejo do ato de fé, há uma recreação de jogos de habilidade com os cavalos.

Ao todo são 40 participantes na cavalhada, 24 na pista, seis como bobos da corte divertindo a plateia e o restante em atividades auxiliares como figurino, sonoplastia e cuidados com os cavalos.

A tradição ficou suspensa de 1966 a 1972, quando Amaro Monteiro morreu de infarto em cima do cavalo em um ensaio da representação. Agenor Martins, um entusiasta de danças como brão, calango e folia de reis em São Luiz do Paraitinga, seguiu com o costume centenário.

"Parece que ele recebeu uma visão do Espírito Santo, alguma coisa bateu mais forte no coração dele e voltamos com a cavalhada, que está viva até hoje", diz Carlos que participa da apresentação desde a infância. A cavalhada é tombada como patrimônio cultural de São Luiz do Paraitinga.

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