Sucesso de “O Agente secreto” reacende debate sobre a Lei Rouanet
Veja como ela funciona e quem pode usar

Com a conquista de duas estatuetas do Globo de Ouro pelo filme “O Agente Secreto”, vencedor nas categorias de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, na noite de domingo (11), o debate sobre a Lei Rouanet voltou a ganhar destaque no Brasil. O reconhecimento internacional reacendeu discussões nas redes sociais e em diferentes setores sobre o papel do incentivo público no fortalecimento da cultura nacional.
+ Receba as notícias do dia – clique AQUI para seguir o canal MEON no WhatsApp
O bom momento do cinema brasileiro no exterior tem evidenciado a importância das políticas culturais para a projeção da produção artística do país. Criada para estimular, preservar e difundir a cultura, a Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, é frequentemente citada como um dos principais instrumentos de fomento cultural no Brasil.
No entanto, diferentemente do que costuma circular no debate público, os filmes “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui”, ambos premiados, não utilizaram recursos da Lei Rouanet. Isso ocorre porque a legislação não contempla o financiamento de produções audiovisuais de longa-metragem, limitando-se a curtas e médias-metragens, além de outros segmentos culturais.
O que é a Lei Rouanet
A Lei nº 8.313 foi sancionada em 23 de dezembro de 1991, durante o governo do então presidente Fernando Collor de Mello, a partir de proposta apresentada por Sérgio Paulo Rouanet, então secretário de Cultura da Presidência da República. O objetivo da legislação é captar e direcionar recursos para o setor cultural, ampliando o acesso da população às manifestações artísticas e fortalecendo a produção e a preservação cultural.
A lei instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), que funciona por meio de três mecanismos:
Incentivo a Projetos Culturais (mecenato);
Fundo Nacional da Cultura (FNC);
Fundos de Investimento Cultural e Artístico (Ficart).
Como funciona o incentivo
No mecanismo mais conhecido, o mecenato, pessoas físicas e jurídicas podem destinar parte do Imposto de Renda devido a projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura. Pessoas físicas podem destinar até 6%, enquanto empresas podem direcionar até 4% do imposto. Cabe aos proponentes dos projetos buscar apoiadores interessados em investir nas iniciativas culturais.
Projetos contemplados
A Lei Rouanet prevê apoio a áreas como artes cênicas, música, literatura, artes visuais, preservação do patrimônio cultural, produções audiovisuais de curta e média-metragem, além da construção e manutenção de salas de cinema e teatro em cidades com menos de 100 mil habitantes e, mais recentemente, a produção de jogos eletrônicos brasileiros independentes.
Captação recorde
De acordo com o Ministério da Cultura, 2025 marcou o terceiro ano consecutivo de recorde na captação de recursos via Lei Rouanet. Dados do Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura (Salic) apontam que o volume captado chegou a R$ 3,41 bilhões, um crescimento de 12,1% em relação a 2024 e de 45,1% na comparação com 2023.
Atualmente, 4.866 projetos culturais estão em execução em todas as 27 unidades da federação, viabilizados por meio da Lei Rouanet, reforçando o papel do mecanismo como uma das principais ferramentas de fomento à cultura no país.
Posts Relacionados


Fundação Cultural de São José disponibiliza guia online com programação de setembro

Mário Toledo lança segundo livro como coautor em São Paulo na semana de abertura da Bienal do Livro
