Por Meon Em Brasil & Mundo

Argélia se espelha em geração de 1986 para vencer Alemanha

"Vamos, Fennecs! Estamos todos com vocês." O tradicional grito de guerra dos torcedores da Argélia virou febre nacional nesta Copa do Mundo da FIFA. A euforia é tamanha que o canto já se transformou em toque de celular, cujo sucesso tem sido grande não apenas entre os cidadãos comuns.

O legendário Lakhdar Belloumi é apenas mais um que tem atendido suas ligações ao som da torcida, um forte indício do imenso apoio que a seleção do técnico Vahid Halilhodzic tem recebido nos últimos dias pelas proezas realizadas no Brasil 2014. Graças à segunda colocação obtida no Grupo H, os argelinos se classificaram para as oitavas de final da competição pela primeira vez na história.

"Eles honraram a Argélia e o mundo árabe com esse feito", foram as primeiras palavras de Belloumi ao FIFA.com quando perguntado sobre o desempenho dos Fennecs no Brasil. "Esta seleção provou que o futebol argelino possui muitos jogadores talentosos e excepcionais."

Rabah Madjer, um dos maiores ídolos da história do futebol nacional, compartilha da mesma opinião de seu ex-companheiro de seleção. "A equipe vem fazendo uma bela campanha até agora. Os jogadores têm muito potencial. A maioria deles atua no exterior, o que tem influenciado positivamente os resultados."

Lembranças inesquecíveis
Belloumi tinha apenas 23 anos e Madjer, 24, quando ambos pisaram no gramado do estádio El Molinón de Gijón para a primeira partida da Argélia na Espanha 1982, contra a Alemanha Ocidental. No papel, havia uma diferença abissal entre os alemães, bicampeões mundiais e então campeões europeus, e os argelinos, que apenas estreavam na Copa do Mundo. Os prognósticos, portanto, apontavam para uma vitória de Karl-Heinz Rummenigge e companhia.

Apesar disso, os jogadores comandados pelo técnico Rachid Mekhloufi se mantiveram firmes e fortes no primeiro tempo, antes de Madjer abrir o marcador para os africanos aos 9 minutos da etapa final. Rummenigge chegou a empatar o jogo, mas logo em seguida Belloumi anotou o gol da histórica vitória argelina, que até hoje é lembrada como "a epopeia de Gijón".

Madjer voltou 32 anos no tempo. "Estávamos um pouco assustados com a perspectiva de enfrentar aquela grande equipe, que era bicampeã mundial e contava com vários craques. Mas, após os primeiros 15 minutos, o medo deu lugar à confiança. Jogamos com serenidade, inteligência e determinação", recordou.

"Entramos na história do futebol argelino já na estreia", destacou Belloumi. "Foi uma partida difícil, porque a escola alemã é conhecida por sua força, mas conseguimos realizar uma atuação inesquecível graças à nossa combatividade."

Autor de 34 gols com o uniforme nacional, Belloumi recorda aquele tento decisivo contra os alemães como se fosse ontem. "Foram dez passes rápidos até eu empurrar a bola para o fundo do gol. Conseguimos marcar logo após o empate da Alemanha. Fiquei muito feliz de ter feito um gol em Schumacher, que era um dos melhores goleiros do mundo na época."

Para Madjer, a vitória poderia ter sido até mais elástica. "Quase marquei um segundo gol, mas a bola passou raspando a trave. Para mim, é uma grande honra ter sido o autor do primeiro gol da Argélia na Copa do Mundo, ainda mais contra uma equipe como a Alemanha."

Uma nova geração dourada
Até o Brasil 2014, a Argélia nunca havia se classificado para a segunda fase da Copa do Mundo em três participações. Na última quinta-feira, o empate em 1 a 1 com a Rússia garantiu à seleção de Vahid Halilhodzic o ponto de que ela precisava para chegar às oitavas de final, provocando cenas de euforia nos quatro cantos do país.

"Eles entraram na história como nós em 1982", exaltou Belloumi. "Esta nova geração dourada de 2014 conseguiu se classificar para a segunda fase e os nomes dos jogadores ficarão para sempre gravados na memória do torcedor."

Quis o destino que a Argélia se deparasse com a Alemanha no mata-mata para uma interessante reedição do duelo de 1982. Madjer está ansioso para assistir a esse novo confronto, que será disputado nesta segunda-feira, 30 de junho, no estádio do Beira-Rio em Porto Alegre. "Esse jogo trará algumas lembranças. É ótimo termos a oportunidade de reencontrar a Alemanha na segunda fase do Brasil 2014", disse, antes de destilar todo o seu bom humor. "Eu e meus companheiros de 1982 poderíamos derrotá-los novamente!"

O ex-atacante do FC Porto, que também participou do México 1986, se mostrou confiante quanto à capacidade da atual seleção de protagonizar uma nova surpresa. "Por que não? Nossa vitória é uma fonte de inspiração para os jogadores, que já estão muito determinados. A Alemanha é forte, mas lógica e futebol não combinam muito bem."

Belloumi não poderia estar mais de acordo. "A atual seleção alemã possui grandes nomes, mas a determinação da nossa equipe é enorme", destacou. O ex-meia dos Fennecs aproveitou a oportunidade para enviar uma mensagem a seus compatriotas. "Eles representam o povo argelino e o futebol árabe. Devem estar à altura dessa responsabilidade, como fizeram até o momento."

A Argélia de fato tem todas as condições de surpreender o mundo novamente nesta segunda-feira. Quem sabe em alguns anos veremos Madjid Bougherra e seus companheiros enviando uma mensagem à nova geração dourada do futebol argelino.
Argélia e Alemanha se enfrentam pelas oitavas-de-final da Copa nesta segunda-feira (30), às 17h, no estádio do Beira-Rio, em Porto Alegre.

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