Fisioterapeuta ajuda Hamilton nas pistas e o acompanha em suas causas
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pouco antes de subir ao pódio do GP da Emilia-Romagna, no último dia 1º, quando alcançou a sua 93ª vitória na F-1, Lewis Hamilton, 35, fez questão de abraçar uma mulher que se destacava em meio aos mecânicos da Mercedes. Era Angela Cullen, 46, fisioterapeuta que cuida de toda a rotina do inglês fora das pistas. Os…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Pouco antes de subir ao pódio do GP da Emilia-Romagna, no último dia 1º, quando alcançou a sua 93ª vitória na F-1, Lewis Hamilton, 35, fez questão de abraçar uma mulher que se destacava em meio aos mecânicos da Mercedes.
Era Angela Cullen, 46, fisioterapeuta que cuida de toda a rotina do inglês fora das pistas.
Os abraços e comemorações entre os dois se tornaram uma marca das façanhas alcançadas pelo piloto. A alegria no fim da última corrida se deve ao fato de o triunfo ter deixado o britânico mais próximo de alcançar o sétimo título mundial, a principal marca ainda ostentada apenas pelo alemão Michael Schumacher.
Neste domingo (15), o inglês poderá se tornar heptacampeão no GP da Turquia, às 7h10 (com transmissão da Globo).
Nas pistas, Hamilton tem total controle de seu carro e da melhor estratégia para vencer as corridas. Tanto que costuma ser ele e não a equipe que define o melhor momento de parada nos boxes para troca de pneus. Quando sai do carro, porém, o hexacampeão segue rigorosamente as orientações de Cullen.
A finlandesa trabalha com o inglês desde 2016. Nesse período, ela tem sido responsável por organizar toda a rotina do piloto, incluindo alimentação, horas de sono e descanso, além do tempo dedicado aos hobbies, como moda e música.
“Todo piloto tem um profissional como essa fisioterapeuta, como eu também estive com o Felipe [Massa] para cuidar de vários aspectos, não só físicos e mentais, como logísticos do atleta”, diz o preparador físico Alex Azevedo, que trabalhou com Felipe Massa de 2015 a 2017.
Ele explica que a preparação de um piloto é semelhante à de um maratonista. “O automobilismo é um esporte de endurance (resistência), o atleta precisa fazer durante uma hora e meia a mesma coisa de forma constante, com a frequência cardíaca e nível de adrenalina altos, tendo de controlar uma máquina.”
Cullen passou a exercer a função junto a Hamilton após a morte do também finlandês Aki Hintsa, médico especialista em medicina esportiva que trabalhava com o britânico desde os tempos de McLaren.
Ela é contratada da Hintsa Performance, empresa fundada por Aki na Suíça para fazer a gestão de carreira de atletas de alto rendimento. Além de Hamilton, o alemão Sebastian Vettel e o finlandês Kimi Räikkönen são orientados por profissionais da Hintsa.
No passado, pilotos como Ayrton Senna, Christian Fittipaldi e Rubens Barrichello tinham Nuno Cobra, formado em educação física, nessa função. Schumacher contava com o preparador físico indiano Balbir Singh.
Angela Cullen é a única mulher a trabalhar com um piloto de F-1 atualmente. “Quando comecei a trabalhar com Lewis, para ser honesta, tinha poucos conhecimentos sobre o paddock da F-1”, escreveu recentemente em seu Instagram em uma postagem dedicada a Hamilton.
Antes de atuar na categoria, a fisioterapeuta trabalhava com atletas de resistência e a equipe britânica de triatlo. Em 2004, fez parte da delegação da Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de Atenas.
Após quatro temporadas ao lado de Hamilton, ela entende todo o desgaste físico e emocional aos quais ele e todos os pilotos estão sujeitos. “É uma necessidade permanecer mental e fisicamente no topo, abraçando tecnologias em constante mudança e novas regras, desafiando-se a alcançar o excepcional.”
Ao longo do tempo, eles se tornaram amigos. Cullen passou a acompanhá-lo em diversas atividades fora da F-1 e participou ao seu lado de protestos nas ruas contra o racismo.
Ela esteve com ele em Londres, no fim de junho, quando ambos caminharam segurando um cartaz com a inscrição “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam).
A finlandesa conta que passou a tomar consciência sobre as questões raciais por causa de Hamilton. Ela comemorou, por exemplo, a eleição do democrata Joe Biden como presidente dos EUA, destacando uma mensagem do discurso de Kamala Harris, a primeira mulher eleita como vice no país: “Se alguém alguma vez ficar em seu caminho e lhe disser para não seguir seus sonhos por causa de sua idade, sexo, aparência ou o lugar de onde você vem, não dê ouvidos”.
Ela também aparece em fotos ao lado do inglês em shows e outros passeios. Mas a relação de amizade entre eles não a faz ser menos rigorosa em seu trabalho.
Entre suas principais preocupações está o descanso do piloto para que ele não sofra com o chamado jet lag, distúrbio do sono causado por constantes mudanças de fuso-horário.
“Esse é um fenômeno experimentado por quem costuma viajar a longas distâncias. Ele desregula o ciclo circadiano, provocando alterações nos hormônios da tireoide, cortisol e melatonina, que afetam o sono e podem causar estresse”, explica o neurocirurgião Julio Pereira, do hospital Beneficência Portuguesa.
O britânico destaca a importância de ter melhorado a qualidade do descanso. “Eu estou sempre tentando elevar o sarrafo e uma coisa [que precisava melhorar] era meu padrão de sono. Não me sentia bem no estômago, e o intestino é o nosso segundo cérebro”, afirmou.
Por incentivo de Cullen, Hamilton se tornou vegano em 2017. “Em última análise, você quer se sentir bem. Ter energia para ser consistente, sem grandes oscilações. O veganismo erradicou isso”, disse o britânico.
Por isso que Cullen mantém uma agenda detalhada com todas as atividades de Hamilton, cobra que ele dedique o tempo necessário para descansar e sempre mantenha bons hábitos alimentares.
“Ela foi uma das melhores coisas que me aconteceram na minha vida”, declarou Hamilton. “Tive a sorte de trabalhar com muitas pessoas, e ela é a mulher mais trabalhadora que tenho por perto.”
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