Por João Pedro Teles Em Brasil & Mundo

Para psicóloga, chororô de sábado deixa seleção mais forte para jogo decisivo de hoje contra Colômbia

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Balde de lágrimas: jogo contra o Chile deixou emoções à flor da pele

Divulgação/Fifa

No último sábado (28), o Mineirão foi palco de uma catarse emocional promovida pelos jogadores da seleção brasileira após sofrida vitória nos pênaltis contra o Chile, em jogo válido pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo. Baldes de lágrimas depois, qual comportamento esperar dos comandados de Luiz Felipe Scolari?

Para a psicóloga de São José dos Campos, Mariana Pereira, a tendência é vermos um time de atitude mais forte do que aquele que enfrentou os chilenos há pouco menos de uma semana.

“Soube que a psicóloga da seleção (Regina Brandão) esteve mais uma vez na concentração para conversar com os jogadores. Isso é importantíssimo, pois aquele jogo contra o Chile mostrou que algo estava muito errado. Abafar aquilo, fingindo que nada aconteceu, seria a pior atitude. Falar sobre os medos com a psicóloga ajuda a deixar o grupo mais forte”, afirma.

Se a pressão de jogar uma Copa em casa é inevitável, a psicóloga explica que os jogadores devem transformar o peso em motivação para os próximos jogos. De acordo com ela, o estigma da derrota ainda povoa demais o imaginário desta seleção.

“Quando você ouve o Thiago Silva, que é o capitão do time, dizer que tem medo de ser marcado como um líder derrotado, é sinal de que o grupo está pensando mais na derrota do que na vitória. Inverter esse paradigma é importante para criar um ambiente vencedor”, diz.

O comportamento histórico do torcedor brasileiro é outro fator que pesa negativamente nessa balança emocional da seleção. “No Brasil vice-campeonato é igual a derrota. Isso complica um pouco as coisas para os atletas da seleção. Mas é preciso atravessar essa dificuldade para ser campeão”, diz.

Zebras
Em um torneio pautado pelo equilíbrio, a psicóloga ressalta que as seleções que estão jogando o futebol mais vistoso são justamente aquelas que não têm a pressão da conquista sob seus ombros. Colômbia, Costa Rica e até mesmo as gigantes França e Holanda entraram no mundial com o simples objetivo de fazer bons jogos.

“Outro fator favorável à seleção nessas quartas-de-final é mostrar a dificuldade que todas as favoritas tiveram contra os times menos badalados. Alemanha, Argentina, Holanda e França sofreram até o último minuto, assim como o Brasil”, comenta.

Perfis
À pedido do Meon, a psicóloga traçou um breve perfil de três dos principais atletas da seleção. Thiago Silva, Julio César e Neymar.

Sobre o nosso capitão, Mariana afirma que ficou preocupada com sua atitude durante os pênaltis contra o Chile. “Ele ficou com muito medo de perder, mas foi frio ao afirmar que não estava em uma boa fase para cobrar penalidades. Acho que ele ainda precisa se firmar como líder do time”, diz.

Já a respeito do goleiro, a psicóloga teme que a necessidade de reafirmação atrapalhe seu desempenho. “Evidente que aquela Copa de 2010 ainda é um trauma muito grande para ele. Ele precisa resolver essa questão e entender que agora a realidade é outra. Deixar o passado para trás e focar-se no presente”, comenta.

Já sobre a estrela do time, a psicóloga ressalta principalmente a comparação com os melhores do mundo como um peso. “O Neymar é um jogador que dificilmente se abala, responde às provações jogando futebol e isso é um traço interessante na sua característica. Mas não pode entrar nas comparações com este ou aquele craque. O importante é que ele encontre sua própria personalidade para se juntar aos grandes”, completa.

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