Alunos

A Dança da Morte

Dica de música

loog poliedro (Reprodução)

Escrito por Elizabeth Malburg Freire Meira

01 JUN 2021 - 10H34

Foto: Reprodução Edvard Munch- Dance of Life, 1899-1900 (Foto: Reprodução)

Grace encarava Liam do outro lado do jardim. Seu alvo estava usando um terno preto e sofisticado feito especialmente para a ocasião, junto com uma máscara dourada vibrante; seu cabelo loiro brilhava com a luz das lamparinas. Ele sabia que a mulher estava lá. E ela também sabia disso. Estava prestes a encurralá-lo para depois nocauteá-lo, quando viu que o rapaz vinha em sua direção.

— Grace Evelyn Armstrong, finalmente nos encontramos — disse.

— Liam Rogers... Parece que sim.

Grace não imaginava que Liam a enfrentaria, assim, tão explicitamente. Ele parecia ser o tipo de pessoa mais reclusa, que não arrisca cometer erros, sempre pensando antes de agir. Tinha acabado de provar o contrário.

— Me concederia uma dança? — perguntou e ela assentiu.

Começaram a dançar com a música lenta do local. Grace colocou seus braços em volta de Rogers e ele os seus em sua cintura. Desviou quando o loiro tentou afastar uma mecha de seu cabelo crespo. Era fácil fingir que não estavam tentando matar um ao outro.

— O que está esperando?

— O lugar esvaziar. E você? O que está esperando para me denunciar, Sr. Rogers?

— Você desistir.

Não poderia fazer isso. Muita coisa estava em jogo para Armstrong desistir.

— Por que eu faria isso?

— Porque você não quer; você só está aqui porque precisa provar para o seu chefe, Jonathan Malck, que você é capaz de fazer alguma coisa importante, que consegue fazer mais do que roubar joias caras ou bancos importantes. Precisa provar que pode roubar de pessoas respeitadas, ricas e honradas, que fazem diferença no mercado. — respondeu, antes de continuar: — Ilegal, claro. – completou com uma risadinha.

— Honradas? — debochou.

— Você não acha?

— Como sabe tanto sobre a minha vida? Está me espionando?

— Não está fazendo o mesmo?

Estava. Grace quis abaixar a cabeça, mas não o fez. Não podia.

— Agora, por que não vamos beber alguma coisa?

A música instantemente parou e Liam puxou-a para a mesa de bebidas. Grace tentou fugir, mas o braço dele a segurava com muita força.

— Sorria — ordenou.

— O que está fazendo? – perguntou enquanto tentava puxar o seu braço novamente.

— Apenas sorria e me siga — respondeu.

Liam começou a se mover para a esquerda, em direção a um corredor que possuía seis portas. Enquanto se encaminhavam para a quinta porta, o de terno preto acenou para duas pessoas também vestidas como ele. Grace recuou à medida que chegavam mais perto da entrada.

— O que está fazendo? — questionou.

— Só faça o que eu estou pedindo, eu explico depois.

A morena pensou em várias formas de sair daquele local, mas, por alguma razão, não o fez. Não queria matá-lo, nunca tinha matado alguém antes. Não conhecia a história dele por ter se negado a ler seus arquivos, achando que faria o ato menos complicado. Não aconteceu.

— Entre. — Ele disse.

Grace entrou, ao mesmo tempo em que desembainhava sua adaga e a segurava perto do pescoço de Rogers.

— Explique-se – mandou.

— Malck ordenou que eu a matasse. Por isso estamos aqui — respondeu, tentando se afastar da adaga. — Você pode fugir por aquela janela. Vai precisar escalar algumas janelas mais abaixo, mas consegue chegar sem se machucar muito. Caminhando junto ao rio, depois de algumas horas, você vai encontrar um barco que vai te levar onde você quiser. O pen-drive está no cofre dentro do armário, a senha é 248310.

— Por que está me ajudando a fugir e por que está me entregando o pen-drive? — Grace não entendia por que alguém não cumpriria uma ordem de Jonathan Malck. O porquê de ele estar fazendo isso era um mistério, mas não queria pensar nisso agora. Era uma chance de fugir.

— Porque assim como você, não tenho nada a ver com os motivos dele. Entrei nesse trabalho para roubar, não para matar. Vidas demais já foram tiradas por minhas mãos.

Grace afastou a adaga de Liam, foi até o cofre, abriu o armário e retirou o pen-drive. Depois, aproximou-se da janela que ele havia indicado. Ela não estava entendendo exatamente o que estava acontecendo. Mas, de qualquer forma, isso não importava. Armstrong já não queria tirar a vida dele mesmo, havia uma oportunidade agora de apenas fugir com o objeto.

— Mas você não vai morrer, ele vai descobrir! – constatou.

— Eu cuido disso, agora vá. Não pode esperar muito mais tempo. Há muita coisa em jogo, Grace.

— Me diga algo que eu não sei, Rogers. Você tem mesmo certeza? — retrucou.

— Sim. Vai ser complicado, porém, já disse, não vou ter mais sangue nas minhas mãos.

— Sabe que vai se arrepender, não é? — perguntou, não é possível alguém em sã consciência fazer isso.

— Ninguém vai me deixar esquecer.

Ela se segurou na janela e, antes de descer, disse:

— So sue me for being something you can't forget.¹

Nota: ¹ Tradução livre: “Então me processe por ser algo que você não pode esquecer”, trecho retirado da música “Sue Me”, da cantora Sabrina Carpenter. 

Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Meon Jovem.


Escrito por
loog poliedro (Reprodução)
Elizabeth Malburg Freire Meira

1º ano do Ensino Médio - Colégio Poliedro - São José dos Campos, SP

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Exclusivo | Comissão Pré-Julgadora

Boleto

Carregando ...

Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Meon, em Alunos

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.