Alunos

Entenda porque a UFRJ pode fechar

Depois de vários cortes no orçamento da UFRJ, reitora expõe o futuro instável da universidade

Ines Frison (Arquivo Pessoal)

Escrito por Inês Ramalho Frison

13 MAI 2021 - 13H31

Foto: Reprodução UFRJ (Foto: Reprodução)

No dia 30 de abril de 2019, o então ministro da educação, Abraham Weintraub, anunciou um corte de 30% na verba de todas as universidades federais do país. O motivo dado pelo ex-ministro foi que “universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia terão verbas reduzidas”, completou dizendo que “a universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”.

Alguns meses depois do corte, as universidades precisaram cortar todas as despesas discricionárias - não obrigatórias - o que inclui contas de água, luz, obras, bolsas acadêmicas, equipamentos para realização de pesquisas e outras coisas que estavam ‘sobrando’.

Depois de muito tempo sobrevivendo com o mínimo, uma faculdade finalmente pode cair. A reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, disse em um artigo publicado no dia 06 de maio no jornal O Globo que, caso não receba a verba necessária até julho, a universidade irá fechar as portas e parar o trabalho secular de ensino, pesquisa e ajuda ao Brasil inteiro.

No artigo, Denise e Carlos Frederico Leão Rocha, vice-reitor e co-autor do texto, abordam a ajuda fornecida pela universidade no combate à pandemia e expõem as condições desfavoráveis em que ficaram após aumentarem as vagas universitárias, realizarem pesquisas importantes, como a conduzida durante a epidemia de zika, e terem perdido 62% da verba que tinham em 2012, há mais de 8 anos.

Segundo o orçamento do Governo Federal, no ano de 2012, a universidade recebeu cerca de 773 milhões de reais e, em 2021, a verba caiu para 299 milhões. Somando o bloqueio de 18,4% da verba aprovada, ou seja, a verba que já havia sido ‘prometida’ para a faculdade, a UFRJ tem aproximadamente R$ 244 milhões para ministrar aulas para quase 68 mil estudantes, fazer inúmeras pesquisas, cuidar de sete museus e 43 bibliotecas, administrar os nove hospitais e centros de saúde e produzir duas vacinas contra a COVID-19.

Quando Dom João VI fundou o que viria a ser a UFRJ, nunca imaginaria que depois de 213 anos, sua obra poderia cair. A terceira melhor universidade do Brasil, 12° na América Latina, 380° no mundo inteiro, está correndo grave risco de fechar, tudo porque a educação está sofrendo uma desvalorização nos últimos anos.

Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Meon Jovem.

Escrito por
Ines Frison (Arquivo Pessoal)
Inês Ramalho Frison

1º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.

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