Alunos

Entrevista: Protagonismo do Rap e do Funk

Os gêneros caracterizam-se como culturas decisivas na transformação de vidas, traçando destinos e gerenciando modificações sociais

Kaun Lopes (Arquivo Pessoal)

Escrito por Kauan Mendonça Lopes

29 JUL 2021 - 10H17

Foto: Divulgação/Marcio Simch entrevista rap e funk (Foto: Divulgação/Marcio Simch)

O Rap e o Funk são gêneros musicais que, além da classificação musical, rompem as barreiras sonoras e tomam espaço como movimentos sociais amparadores, os quais possuem caráter único, em especial, na vida do jovem periférico. ‘’A voz dos oprimidos’’, a qual toma enorme força por um firme grito de resistência, encontra em ambos ritmos espaço para alocar-se e constituir seu papel.

A seguir, é realizado uma pequena entrevista de perguntas e respostas breves, tendo como entrevistado o jovem Davi Paulino, 16 anos, habitante na zona sul de São José dos Campos, e bolsista em uma escola particular prestigiada. Davi expõe seu contato com o Rap e o Funk, dialoga sobre a importância da música no cotidiano e opina diante de outras questões que envolvem o assunto. Confira! 

Entrevistador: Como ocorreu seu primeiro contato com o Rap e o Funk?

Davi: "Meu primeiro contato foi com meu pessoal, na rua, na escola... Tocava e toca em todo lugar onde vivo, sempre fez parte da minha história e vai continuar fazendo. Me identifico muito com as letras dos Raps e Funks conscientes. Até mesmo as músicas que trazem o tema de ostentação, buscando viver essa vida, sem atrasar ninguém e apoiando os meus".

Entrevistador: Quais foram as referências musicais, acerca dos gêneros, que trilharam grande parte da sua evolução?

Davi: "No rap, eu "convivi" mais com artistas estrangeiros, como 2pac, Ice cube, 50cent, Snoop Dogg, Eminem etc., porém não posso deixar de citar Racionais, Trilha Sonora do Gueto, Sabotage, Emicida, Criolo, entre muitos outros, que possuem uma enorme relevância na minha vida e na grande parte dos brasileiros. O funk esteve mais presente na minha história, nomes como Neguinho do Kaxeta, Daleste, Léo da Baixada, Felipe Boladão, Hariel, Pedrinho, Davi, PP da VS, posso citar vários".

Entrevistador: Qual seu olhar sob esses ritmos influenciarem os jovens, em grande parte, da periferia?

Davi:" Eles influenciam diretamente a quebrada, na moda, nas falas, gírias, no dia de trabalho para motivar, numa "resenha" pra curtir, e principalmente, mais uma forma de mudar de vida. Entrar numa faculdade sem apoio financeiro, familiar e emocional é muito difícil, mas com a popularização desses gêneros musicais surge mais uma opção que podem fazer o jovem favelado melhorar de vida".

Entrevistador: O que você pensa sobre haver um público "privilegiado" que escuta essas músicas, as quais geralmente não são destinadas a eles?

Davi: "Acredito que isso não é nada menos que apropriação cultural. Um dos versos de uma música do MC Hariel ele cita o seguinte: "playboy quer ser bandido, e bandido quer ser playboy", um verso muito objetivo e claro. Muitos que vivem em apartamento, em condomínio fechado, ou tem uma vida "mansa", não compreendem que aquela realidade não é vivida pela maioria da população, você não é sofredor se acorda meio dia e não precisa se preocupar se vai conseguir comer ou não. Não é possível viver a realidade do outro, se acostume com a sua, saiba lidar com as suas dificuldades, seus privilégios, e fortifique-se com isso".

Entrevistador: Por fim, como você observa os artistas que estão compondo a nova geração do rap e do funk?

Davi: "O rap e o funk evoluiu muito de tempos pra cá, com eles surgem novos gêneros que derivam dos mesmos, como o Trap, Grime e Drill, ritmos que estão em alta no mundo todo. Os novos ritmos que estão surgindo agradam boa parte dos ouvintes de rap e funk, porém os artistas que fazem parte desses novos gêneros não podem esquecer o real objetivo. Rap e funk é luta contra o sistema, o grito do oprimido, é combate a qualquer tipo de preconceito, rap e funk é união".

Davi: "Forte abraço da minha parte, uma honra participar dessa entrevista, Deus abençoe!".

Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Grupo Meon. 

Escrito por
Kaun Lopes (Arquivo Pessoal)
Kauan Mendonça Lopes

2º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.

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