Por Ingrid Vitória Latanzi Silva | Colégio Univap Em Alunos Atualizada em 27 OUT 2020 - 18H52

RACISMO ESTRUTURAL: A ferida que ainda persiste no Brasil.

Desigualdade social e o aumento da violência contra o negro no país

“Enquanto a cor de pele dos homens valer mais que o brilho dos olhos, haverá guerra”. Essa frase de Bob Marley, proferida há algum tempo, mesmo após seu falecimento continua sendo notória e atemporal, visto que o racismo é uma ferida que persiste aberta na sociedade e muitos negros hoje ainda seguem na busca incessante por uma posição dos sonhos onde a conquista é sempre mais dificultosa devido a esta desigualdade.

O cenário é uma comunidade. Em uma briga entre mocinhos e vilões, uma bala perdida atravessa o peito e tem destino implacável: a morte.

Dados inéditos do fórum brasileiro de segurança pública revelam um aumento na morte de civis em operações policiais. Em 2019 foram 6.357 vítimas, quase 80% eram negras; neste mesmo ano, 172 policiais foram assassinados.

Vale ressaltar que os negros são a minoria nos profissionais com ensino superior, cargos de liderança, em campanhas publicitárias e em representatividade no congresso nacional. No entanto, são a maioria da força de trabalho do Brasil, dos desempregados e do número de homicídios.

O que explica essa situação?

Infelizmente, ainda hoje o racismo não é reconhecido no Brasil e mostrar a sua existência é algo crucial para marcha por uma sociedade mais justa. A historiadora Ynaê Lopes dos Santos, em uma entrevista ao jornal Fantástico, aborda um pouco desta temática. ‘’Não ser racista, em uma sociedade racista é continuar sendo racista. É necessário ter uma ação antirracista, reconhecer que esse problema existe e que é estrutural".

Ou seja, muitas vezes ele aparece inconsciente e é visto como algo natural. Em decorrência disso, a população branca não reconhece seus privilégios, o que gera a marginalização da população negra.

Desta forma, o racismo não denota apenas quem morre ou quem vive, quando buscamos uma sociedade mais justa é necessário a auto reflexão no cotidiano: onde se encontra a população negra na sociedade?

De acordo com o editor Bruno Latta, a explicação do fórum brasileiro para essa situação é que os policiais não são a maioria na empresa, mas são os que mais morrem.

Faz sentido que policiais negros ocupem cargos de frente e de baixo escalão em posições perigosas na corporação. Além disso, a carreira militar praticamente não cresceu, o que pode explicar a morte da maioria dos policiais negros no Brasil.

No entanto, o outro lado da história é que o número de negros mortos pela polícia passou de 75% em 2018 para 79% em 2019. Para os brasileiros, esta é uma situação lamentável e preocupante.

Quando isso começou?

A polícia militar foi criada no ano de 1808 com a criação da intendência geral de polícia de corte, que veio junto com a família real quando Dom João tornou o Rio de Janeiro na capital do Império Português.

Ela possuía duas funções: a de caráter municipal e a de gerenciamento da população que vivia na corte imperial e que precisava se transformar ao mesmo tempo em que dependia do trabalho escravo para funcionar - sucedido o aumento do fluxo negreiro com a chegada da corte.

Dessa forma, a polícia tinha função de controlar a população negra do Rio de Janeiro. E foi então que deu início a história da polícia no Brasil, o que demostra posteriormente a dificuldade dos negros de ingressarem nestes postos de trabalho mesmo após a abolição.

Sendo assim, essa situação só piorou com a política de embranquecimento do estado no Brasil. A imigração da população europeia, a falta de oportunidade concedida às pessoas pretas em liberdade e a exclusão social enraizaram esse preconceito no país, deixando essa ferida aberta até os dias de hoje.

Afinal o que é racismo estrutural?

É quando há uma desproporcionalidade entre classes, onde um grupo de pessoas é marginalizado e o outro privilegiado. Dessa forma, o racismo estrutural é o engessamento da desigualdade e a violência contra negros em diversos âmbitos da sociedade onde impacta diretamente desde o sistema de justiça até a educação.

Seguem abaixo exemplos.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Instituto de Segurança pública do Rio de Janeiro e Observatório do Covid-19 de São Paulo:

● Abaixo da linha da pobreza: 43,7% corresponde a pretos e pardos enquanto os brancos são apenas 19%;

● Taxa de analfabetismo: corresponde a 9,1% sendo pretos e pardos enquanto 3,9 % sendo brancos

● Deputados federais eleitos em 2018: 75,6% brancos e 24,4% negros

● Na educação, ensino superior completo ou mais: 32,2 % são brancos enquanto 22,7 % seguem sendo negros.

● 80% dos mortos pela polícia no Estado do Rio de Janeiro 1° Semestre 2019 corredia a Negros e pardos.

● A mortalidade por Covid-19 em uma taxa de 100 mil habitantes correspondem a 15,64 sendo negras enquanto 9,67 brancas.

Esses dados são absurdamente alarmantes e só mostram como o racismo está no DNA da nossa história e ainda é muito presente no cotidiano.

Movimento Negro

Durante o período da escravidão, o movimento negro no Brasil ainda se apresentava de forma instável e secreta. Grandes pessoas enfrentaram o sistema e promoveram o movimento. Entre eles, um dos mais famosos é Zumbi dos Palmares (o líder do Quilombo dos Palmares).

Na atualidade essa ação vem repercutindo ainda mais, principalmente com as mídias sociais, diversas pessoas aderiram a esse luta constante de mostrar que o racismo existe, e fazer que ele se extingue tornando a sociedade mais igualitária.

Esta ação foi bem evidenciada no assassinato do George Floyd - negro morto por policiais brancos nos Estados Unidos. Este evento catastrófico repercutiu em diversos países em manifestações digitais com a hashtag vida negras importam. No entanto, no mesmo período houve a morte de João Pedro Mattos Pinto, jovem negro de apenas 14 anos morto em bala perdida; contudo não houve a mesma repercussão, ou seja, quantos Georges Floydes e Joões Pedros ainda morrem por dia no Brasil e não são mensurados?

Dessa forma, o embate vai continuar até que esta luta acabe. Pois é necessário falar sobre isso sempre, é necessário reconhecer que existe o racismo, são necessárias ações governamentais efetivas e da sociedade civil que instiguem a população transformar seus pensamentos trazendo consciência, igualdade e principalmente ultrapassando limites, mostrando o que realmente é justo e certo.

É necessário vivermos em um Brasil democrático de verdade.

” Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. As pessoas precisam aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que seu adversário“. - Long Walk to Freedom.

Deixo essa reflexão, e faço o pedido de sempre:

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Com supervisão de Samuel Strazzer, jornalista do Grupo Meon.

Escrito por
Ingrid Latanzi (Arquivo Pessoal )
Ingrid Vitória Latanzi Silva | Colégio Univap

Aluna do 2° ano do Ensino Médio Técnico do Colégio Univap, em São José dos Campos

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