A arte morreu
A arte nasceu no século 15, quando Renée Descartes cunhou a máxima: “penso, logo existo”. Antes disso, as pessoas pintavam apenas retratos e fatos históricos, ou seja, pintavam um mundo pronto, de fora pra dentro. Junto à máxima de Descartes, veio a chance do homem ver o mundo a partir de sua própria ótica, de […]

A arte nasceu no século 15, quando Renée Descartes cunhou a máxima: “penso, logo existo”. Antes disso, as pessoas pintavam apenas retratos e fatos históricos, ou seja, pintavam um mundo pronto, de fora pra dentro.
Junto à máxima de Descartes, veio a chance do homem ver o mundo a partir de sua própria ótica, de dentro pra fora. Ou seja, o mundo é aquilo que pensamos dele, e cada um tem o seu. Então a arte nasceu, para representar o indizível.
A arte morreu no século 20, provavelmente nos anos 1980, com alguns suspiros, aqui e acolá, nas décadas seguintes. A arte morreu porque todas as referências se tornaram possíveis. Tudo se tornou reaproveitável. Cessaram-se os tabus e os limites. Tudo podemos. Recortar, recriar, reorganizar.
A arte morreu, com cinco séculos de idade, por excesso de liberdade e Prozac.
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