A arte urbana do estêncil é tema de oficina em São José dos Campos

Curso explora estilo de arte que consagrou o britânico Banksy

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
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Intervenção de estêncil do artista IFI!, que ministra curso em São José

Arquivo pessoal

Pode uma placa de papelão e um spray fazerem a arte reverberar pelo mundo? Nas mãos perspicazes de um artista que domina a técnica do estêncil, a resposta é sim. Caracterizada pelos materiais de fácil acesso e pelo cunho de arte de resistência, que tem no britânico Banksy seu ícone mais popular, o estêncil se transformou no porta-voz das ruas e está por ai em todo o canto: postes, muros, portões e até de baixo das pontes.

A prática do estêncil e suas intervenções na paisagem urbana são tema da oficina “Arte e Cidade: o Estêncil como Intervenção Urbana”, que acontece de 4 a 18 de junho, sempre aos sábados, na Oficina Cultural Altino Bondesan, em São José dos Campos.

As aulas serão ministradas pelo urbanista e artista plástico Filipe Rezende, o Ifi!. Ao mesmo tempo que oferece embasamento teórico sobre a técnica e suas origens, o curso também convoca os participantes a colocarem a mão na massa, numa proposta de intervenção no próprio espaço da Oficina Cultural.

O estêncil consiste na técnica de pintura que usa como molde uma superfície vazada, podendo ter seus desenhos reproduzidos em qualquer outra área. De acordo com Ifi!, o estêncil como intervenção urbana é um movimento que, na maioria das vezes, promove pequenas mudanças estéticas nos mais variados ambientes.

“Eu classifico a intervenção urbana como um conceito mais amplo, de cunho urbanístico mesmo. Já a questão do estêncil, na maioria das vezes, trata-se de cortar os intermédios entre público e artista. É como uma galeria ao ar livre para que todos possam ter contato com suas obras”, explica.

Atualmente, o ícone pop desse tipo de intervenção é o britânico Banksy. O misterioso autor, que é avesso às aparições públicas, foi responsável por elevar a técnica a um novo patamar de popularidade. Entretanto, Ifi! afirma que há outras referências com linguagens ainda mais sofisticadas fazendo das ruas suas galerias de arte ao redor do mundo.

“Nas aulas também vamos mostrar o trabalho desses caras. Para mim, há pelo menos 20 pessoas que fazem um trabalho de ótimo nível utilizando as técnicas do estêncil. Cada um deles têm sua particularidade, alguns com apuro mais sofisticado, outros com uma estética mais crua, mas todos com valor artístico imenso”, explica.

Resistência
Pela facilidade de reprodução e a simplicidade dos materiais utilizados, o estêncil foi se estreitando cada vez mais com uma cultura de resistência. Desde os movimentos da contracultura, passando pela estética punk, até as manifestações atuais, a arte tem representado a voz das classes populares.

“Claro que isso não limita a técnica a apenas esse recorte, mas foi a própria facilidade de obter os materiais e de reproduzir as gravuras que aproximou esses movimentos de resistência à estética do estêncil. Mas a arte é intuitiva e mantém uma profunda base teórica, que vamos abordar no curso”, conclui.

As aulas acontecem sempre aos sábados, das 9h às 13h. A O.C Altino Bondesan fica na avenida Olivo Gomes, nº 100, no Parque da Cidade. Mais informações podem ser encontradas no site www.poiesis.org.br.

Arte e Cidade: Estêncil como Intervenção Urbana
Quando: de 4 a 18 de junho (aos sábados), das 9h às 13h
Onde: Oficina Cultural Altino Bondesan
Telefone: (12)3923-4860

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