A dimensão dos Rios Nilo e Amazonas gera embate científico
Confira mais um texto participante do Meon Jovem

A extensão dos Rios Nilo e Amazonas, calculadas pelo geólogo do INPE, Paulo Roberto Martini, se tornou uma polêmica na comunidade científica a partir da divulgação das novas metragens feitas pelo pesquisador.
Em entrevista exclusiva ao Projeto VERUS, veiculada nas redes sociais no dia 12 de maio, Martini contestou os cálculos britânicos, explicando que o Rio Amazonas é o maior rio do mundo em extensão (contando com 6992,06 quilômetros de extensão). Isso causou uma polêmica na comunidade científica, que repercutiu internacionalmente, envolvendo The Washington Post (Jornal dos Estados Unidos), BBC News (maior organização de transmissão de notícias do mundo) e National Geographic (revista estadunidense).
Acesse no link a entrevista: https://www.instagram.com/reel/CsJxqLwLump/?igshid=MTRhZmU1ODE2NA==
No dia 12 de junho (exatamente um mês depois da publicação da entrevista), o The Washington Post dedicou uma reportagem de página inteira na tentativa de desqualificar a pesquisa brasileira, usando a pauta da reportagem do Projeto VERUS como base. “O Guiness World Records, a Britannica e o governo dos EUA concordam: o rio mais longo do mundo é o poderoso Nilo…”, declara o The Washington Post.
Além dessa controvérsia cientifica, surge outra questão: o preconceito em relação a comunidade científica de pesquisas dos países em desenvolvimento, ou como os europeus passaram a denominar pejorativamente essas nações, países de terceiro mundo.
Em agosto, a BBC News produz uma reportagem aprofundada sobre os rios, comunicando também a respeito de uma expedição planejada para o cálculo. A propósito, o INPE já fez isso. Mas mesmo assim, “o consenso internacional entre os especialistas e a literatura cientifica é que o Nilo é o mais longo, embora haja certamente dúvidas e um debate sobre isso.”, afirma o geógrafo britânico Jeremy Anbleyth-Evans.
O INPE (instituição que liderou as pesquisas que descobriram a verdadeira extensão dos rios), é reconhecido internacionalmente, porém, como instituição brasileira, suas pesquisas são por vezes desconsideradas.
“Temos aí um componente que nunca deixou de existir, mas que sempre andou pelas sombras do cenário mundial da academia e dos institutos de pesquisa. Para isso se dá o nome de preconceito científico. Conforme a instituição e o país que a sedia, há uma enorme desconfiança sobre métodos e resultados, mesmo que isso veja ser exposto, avaliado por pares e exaustivamente debatido. A academia, infelizmente, tem muito de preconceito e de egos inflados, senhores de verdades absolutas que só podem ser produzidos por uma casta de instituições e pesquisadores. Essa questão envolvendo o Paulo Roberto Martini, o INPE, e o tamanho dos rios mostram bem como os países do hemisfério norte tratam as pesquisas oriundas no hemisfério sul. Se não tiver a chancela dos países europeus e dos Estados Unidos a validade é contestada, mesmo que muitas vezes os pesquisadores tenham suas origens, inclusive acadêmicas, em países do ‘terceiro mundo’. Mas para um meio tão fechado, esse assunto vem muito pouco a superfície. São os mesmos que reclamavam de existirem reportagens científicas na imprensa leiga, dizendo que aquilo era a ‘vulgarização’ da ciência, como se o conhecimento fosse exclusividade de uma casta, de apenas um segmento”, avaliou o jornalista Júlio Ottoboni, pós-graduado em jornalismo científico e com quase 40 anos de atuação no segmento em coberturas de assuntos científicos.
A disputa sobre a dimensão dos Rios Nilo e Amazonas torna-se um reflexo da realidade de muitos cientistas brasileiros na dinâmica complexa entre os centros de pesquisas de diferentes países, apontando os persistentes desafios de reconhecimento científico internacional.
Com supervisão de Isabela Sardinha, jornalista do Meon Jovem.

9º ano do ensino fundamental II - Alpha Lumen - SJC
