A Seresta da Lua Cheia de Paraibuna passa “por onde o povo pede”
Todo mês, de sexta para sábado, sempre em noite de lua cheia, músicos e poetas de Paraibuna caminham pelas ruas da cidade para cantar seresta. A Serenata da Lua Cheia, projeto organizado pela Fundação Cultural de Paraibuna, completa 20 anos em 2014 e tem a cantoria de agosto acontecendo nesta sexta-feira (8).


Os “Amigos da Cantoria” puxando serestas na praça da Matriz
Divulgação
Todo mês, de sexta para sábado, sempre em noite de lua cheia, músicos e poetas de Paraibuna caminham pelas ruas da cidade para cantar seresta. A Serenata da Lua Cheia, projeto organizado pela Fundação Cultural de Paraibuna, completa 20 anos em 2014 e tem a cantoria de agosto acontecendo nesta sexta-feira (8), sempre a partir das 21h.
Um dos oito puxadores de cortejo da serenata, o poeta José Ernesto, conta que os músicos vão para “onde o povo pede”. “Quando chega perto da primeira sexta-feira de lua cheia, as próprias pessoas ligam para a Fundação e pedem para o grupo passar na casa do pai que faz aniversário, da tia que está precisando. E a gente vai”, diz Ernesto, que define sua idade como sexagenária.
O Amigos da Cantoria, um conjunto de violonistas, violeiros, cantores e poetas, se reúne na sede da Fundação para o início do cortejo, que depois de realizar o trajeto decidido de acordo com os pedidos dos moradores, sempre acaba na praça da Matriz com um sarau improvisado. Mas, segundo Ernesto, não é nada planejado.
“Muitas vezes, a gente é surpreendido com alguém abrindo a janela, a gente para por ali e pode até esticar a poesia. Mas isso é muito natural, não é agendado, isso acontece. E quando acontece fica mais bonito”, explica.
Serestas como “Chuá Chuá” e “Luar do Sertão” estão no repertório do cortejo, esta última combinando com a ocasião da noite iluminada pela lua que, de acordo com Ernesto, ressalta uma cidade “tipicamente bucólica e rural que tem essa maravilhosa lua entre as serras. Coisa que na cidade grande fica difícil de distinguir”.
Tradição
Apesar do projeto “Serenata da Lua Cheia” comemorar duas décadas de existência neste ano, a tradição das serestas de Paraibuna remonta dos anos 1930, quando um dos pioneiros da cantoria itinerante foi o músico e poeta Benedicto Siqueira e Silva, que dá o nome à atual Fundação Cultural de Paraibuna. Os tais cortejos popularizados pela turma precursora de Benedicto foram presenciados por Ernesto quando pequeno.
Comedido, o poeta pede licença para declamar uma seresta com voz ao mesmo tempo empostada e simples:
“Desfiando Reminiscências/Histórias de gado e gente, enredos de amor e perdas/O que nos vale é a verdade seresta cantada, simples e sempre. É o que nos vale, feita de campo e semente. E é por isso que o vício de rara beleza e magia juntou viola e seresta, berrante com poesia/ Levou para as noites prateadas, para os lares, bares e praças uma real confraria/É o povo sereno e festivo que chega de todo o lado e a cada encontro se amplia, formando um coro bonito, pois já se estão batizados: são Amigos da Cantoria.”
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