Advogados ganham visibilidade ao lado de réus de crimes famosos
Autores de crimes que chocaram o Brasil e tiveram grande repercussão na sociedade dificilmente encontram problemas para ser defendidos. Os principais processos envolvendo crimes que ficaram marcados pela alta exposição na mídia têm por trás os seus escudos: os advogados. Por outro lado, quem não tem condições de arcar com o pagamento de honorários de advogados precisa recorrer à Defensoria Pública do Estado ou a serviços de atendimento da própria OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).


Denivaldo Barni (à esquerda) e Henrique Ferreira da Silva Filho
Montagem Meon
Autores de crimes que chocaram o Brasil e tiveram grande repercussão na sociedade dificilmente encontram problemas para ser defendidos. Os principais processos envolvendo crimes que ficaram marcados pela alta exposição na mídia têm por trás os seus escudos: os advogados. Por outro lado, quem não tem condições de arcar com o pagamento de honorários de advogados precisa recorrer à Defensoria Pública do Estado ou a serviços de atendimento da própria OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Em algumas situações, os honorários podem ser “trocados” pela visibilidade que a exposição dos fatos na mídia permite. São casos emblemáticos como o de Suzane Von Richthofen, Eloá Cristina, Chico Picadinho e do ex-promotor Igor Ferreira da Silva, que matou a mulher, Patrícia Aggio Longo, grávida de sete meses. Em dois desses casos -Suzane Richthofen e Igor Ferreira da Silva-, os acusados estão cumprindo pena no complexode penitenciárias de Tremembé. Chico Picadinho chegou a ficar preso na Casa de Custódia de Taubaté em 1994, mas atualmente está no Hospital de Custódia de Tratamento Psiquiátrico do Tatuapé, em São Paulo.
Suzane foi condenada a 39 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato dos pais -Manfred e Marísia von Richthofen- em outubro de 2002, na casa da família, no Brooklin, região sul de São Paulo. Na época, o namorado Daniel Cravinhos e o irmão Cristian Cravinhos também confessaram participação no crime. Neste caso, quem defende Suzane é o advogado Denivaldo Barni, que desde o início foi contratado pela avó da presidiária.
Barni afirma que entrou no caso por solicitação da mãe da vítima e avó de Suzane. “Entrei a pedido da mãe da vítima e estou acompanhando o processo desde 2002. Fui contratado pela avó, mas quem não pode ter acesso a um advogado por questões financeiras pode optar pela Defensoria Pública”, diz o advogado.
No caso da morte de Patrícia Aggio Longo, quem defende o ex-promotor é o advogado Henrique Ferreira da Silva Filho, pai de Igor. Ele foi condenado a 16 anos e 4 meses pela morte da mulher e pelo aborto do filho que ela esperava, em 1998, em Atibaia. Além deste caso, o advogado também defende o colombiano Jorge Enrique Rincón Ordoñez, considerado um dos maiores traficantes de cocaína do mundo. O Meon entrou em contato com o advogado Henrique Ferreira, mas não recebeu retorno até o fechamento da reportagem.
Procura
Na avaliação do presidente da OAB em Taubaté, Luiz Guiherme Paiva Vianna , a troca dos honorários pela visibilidade deve ser avaliada por cada advogado em cada caso, mas diz que não há impedimentos. “Cabe ao advogado decidir se quer oferecer seus serviços para algum caso. Isso acontece quando os acusados não possuem condições de arcar com os custos da defesa”, explica Vianna.
Silvia Dias, presidente da OAB de São José dos Campos, lembra a questão ética. Segundo ela, é necessário o cliente procurar o advogado. “O advogado não pode se oferecer para defender o cliente, o cliente é que precisa se manifestar”, diz Silvia.
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