Ainda sem verbas, Unifesp faz aula protesto no centro de São José
Universitários transformaram a praça em sala para falar de educação

















Professores, alunos e a direção da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) realizaram na tarde desta sexta-feira (10), uma aula protesto na praça Afonso Pena, em São José dos Campos. Com contas atrasadas e sem receber o suficiente para manter as portas abertas por muito tempo, o grupo teme que as aulas tenham que ser suspensas se o Governo Federal não repassar logo, as verbas devidas à instituição.
O tema da aula feita em meio a avenida com a ajuda de um caminhão de som foi “Luto pela Educação”. A pontualidade e presença dos estudante também foi garantida, ninguém faltou. Com detalhes e explicações fundamentadas em grandes exemplos de boa educação pelo mundo, o professor Francisco Nóbrega, que já lecionou na Unifesp, Univap e na USP, explicava os detalhes.
“Temos que olhar o quanto já estamos atrasados. Cumprimos nos últimos 15 anos apenas duas das seis metas estabelecidas pela Unesco para a educação no Brasil. Fizemos o mínimo, agora deixar as universidades sem verbas é demais.Espero que o novo ministro da Educação nos confirme a esperança e faça algo para mudar esse quadro chocante”, detalha.
Para as alunas do 4º ano do curso de Engenharia de Materiais, a indignação se mistura com tristeza. “Somos alunos de uma universidade pública, que tem uma biblioteca, mas não tem livros. Tem laboratório, mas não tem materiais. Eu vou praticamente me formar, sem quase nunca ter tido aulas laboratoriais, sem por a mão na massa”, explica a estudante Ingrid Lacerda, 25 anos.
“As pessoas tem que entender que isso aqui e todas as universidades construídas como a Unifesp no Brasil a fora são obras com características eleitoreiras, pois estão bonitas para a inauguração, mas não tem livros, equipamentos, nada dentro. Aprendemos apenas com o esforço dos nossos professores. Agora nem pagando as contas mais o governo está. Uma vergonha”, conclui a estudante Fernanda Máximo Teles, 24 anos.
Crise
Com dois meses de atrasos em contas de energia e contratos com a empresa de vigilância, a Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) de São José dos Campos pode suspender as aulas dos 1.300 estudantes em abril.
O atraso no repasse de verbas pelo MEC (Ministério da Educação) afetou diretamente as contas da universidade que, segundo a direção da instituição, está com déficit de R$ 400 mil. Segundo o diretor do campus em São José, Leduino de Salles Neto, o custeio da unidade gira entorno de R$ 500 mil por mês e o governo federal repassou apenas R$ 600 mil nos dois primeiros meses. O valor total do repasse de janeiro e fevereiro seria de R$ 1 milhão.
“Ainda não avançamos em nada. Não sei quando vamos andar, temo que cortem mais recursos. Salas já foram fechadas, ainda não pagamos as contas. Queremos sensibilizar a população para o que estão fazendo com a educação no Brasil”, afirma Neto.
MEC
Procurada pelo Meon no inicio de abril, o Ministério da Educação afirmou que o orçamento para 2015 foi aprovado no Congresso Nacional no fim de março e que estava esperando a sanção presidencial.
“Com o objetivo de garantir o pleno funcionamento dos serviços prestados pelas Universidades e Institutos Federais, o Ministério da Educação informa que o Governo Federal autorizou a liberação de 1/12 dos recursos destinados às instituições federais a partir deste mês. A medida permitirá que as instituições, que têm autonomia para gerir seus recursos, normalizem seus calendários de pagamento do custeio e investimentos”, informa a nota.
O Ministério da Educação afirma ainda que está em diálogo com as Universidades, Institutos e as respectivas entidades representativas para trabalhar em parceria e esclarecer eventuais dúvidas.
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