Alunas da Unesp protestam contra assédio e denunciam 10 casos de abuso em São José
Grupo cobra desligamento de docentes

Um protesto organizado por estudantes da Unesp mobilizou a região central de São José dos Campos na tarde desta segunda-feira (4). Cerca de 200 manifestantes, vestindo preto, concentraram-se no campus de Odontologia e percorreram vias como as avenidas Francisco José Longo, Prudente Meirelles de Moraes e Adhemar de Barros para denunciar casos de assédio e abuso sexual atribuídos a professores.
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Segundo os organizadores, o número de denúncias subiu para cerca de 10 relatos após a repercussão do caso da estudante Carolina Ferreira, de 21 anos. Os alunos entoaram frases como “Assédio aqui não” e “Estuprador não pode ser professor”, cobrando não apenas o afastamento, mas o desligamento definitivo dos envolvidos. O ato teve apoio de uma professora, representantes da OAB e da vereadora Amélia Naomi (PT).
Relatos de violência e ameaças
A onda de manifestações ganhou força após Carolina Ferreira relatar ter sido vítima de estupro por um professor em 2023, crime que teria ocorrido após ela aceitar uma carona na saída da faculdade. A jovem afirmou que passou a sofrer ameaças psicológicas após o episódio, relatando que o docente chegou a mostrar fotos de seus familiares no celular para intimidá-la, afirmando que haveria consequências caso ela denunciasse o ocorrido.
Além deste caso grave, outras alunas relataram episódios de contatos não consentidos, descrevendo que professores as tocavam de forma invasiva, inclusive em áreas íntimas por dentro das roupas. As denúncias também abrangem assédio moral e perseguição acadêmica; uma estudante afirmou ter sido informada por um docente que “a corda arrebentaria para o lado mais fraco” ao questionar uma situação. Os manifestantes descreveram que esses comportamentos costumam ser graduais, iniciando-se com comentários inapropriados que escalam até agressões físicas.
Posicionamento da universidade
Em nota oficial, a direção do Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT) da Unesp informou que está acompanhando as manifestações e reiterou seu repúdio a qualquer forma de assédio. A instituição destacou que disponibiliza canais oficiais para o registro de denúncias, assegurando a garantia de sigilo e a devida apuração dos fatos.
A universidade informou ainda que, desde o dia 30 de abril, foram abertos dois Processos de Apuração Preliminar (PAD) para investigar os casos registrados, ressaltando que a continuidade das investigações depende da formalização das queixas pelos canais competentes. Por fim, a direção reafirmou o respeito ao direito de manifestação dos estudantes, mas enfatizou a necessidade de manter o diálogo e uma condução respeitosa durante as mobilizações.
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