Alzheimer: quando o esquecimento deixa de ser normal? Veja os sinais de alerta

Dia Mundial do Alzheimer chama atenção para alterações de memória, comportamento e autonomia que podem indicar a necessidade de avaliação médica

Escrito por: Rubens Baracho4 min de leitura
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Esquecer onde colocou as chaves, o nome de uma pessoa conhecida ou uma tarefa pontual pode acontecer com qualquer pessoa, principalmente em períodos de estresse, cansaço ou excesso de informações. Mas quando esses esquecimentos se tornam frequentes e começam a interferir na rotina, podem ser um sinal de alerta.

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O Dia Mundial do Alzheimer, celebrado nesta segunda-feira (21), reforça a importância de reconhecer os primeiros sintomas da doença e buscar avaliação médica.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oslo, na Noruega, apontou que o cérebro pode apresentar alterações estruturais e funcionais anos antes de determinadas alterações associadas à doença serem identificadas em exames convencionais. Segundo a pesquisa, essas mudanças podem começar pelo menos sete anos antes da detecção das placas de beta-amiloide, uma das características biológicas relacionadas ao Alzheimer.

Para a neurologista Márcia Rodrigues, do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), a principal diferença entre um esquecimento pontual e um possível declínio cognitivo está na frequência e no impacto dessas falhas sobre a autonomia.

“Falhas de memória pontuais são perfeitamente normais e tendem a ficar mais comuns com a idade ou em períodos de fadiga mental. O sinal de alerta acende quando o esquecimento passa a interferir na independência do indivíduo”, explica.

Entre os exemplos estão esquecer o caminho de volta para casa, ter dificuldade para administrar o próprio dinheiro ou não conseguir utilizar aparelhos domésticos que antes eram usados normalmente.

Alzheimer não afeta apenas a memória

Apesar de a perda de memória recente ser um dos sintomas mais conhecidos do Alzheimer, outras mudanças também podem aparecer.

Alterações de comportamento, mudanças bruscas de humor, apatia, isolamento social e dificuldade para se orientar no tempo, como confundir datas, dias da semana ou horários, podem estar entre os sinais observados.

O diagnóstico precoce permite iniciar o acompanhamento adequado e também ajuda familiares e cuidadores a se organizarem diante das mudanças provocadas pela doença.

“Quando identificamos as alterações cognitivas logo no início, conseguimos propor intervenções multidisciplinares que preservam a qualidade de vida e a autonomia do paciente por mais tempo”, afirma a neurologista.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do Alzheimer exige uma investigação médica detalhada. A avaliação pode envolver consulta clínica, testes neuropsicológicos e exames complementares, como exames de sangue, análise do líquor e exames de imagem, incluindo ressonância magnética ou tomografia.

A presença de um familiar ou cuidador durante a consulta também pode ser importante.

Segundo Márcia Rodrigues, o acompanhante ajuda a fornecer informações sobre mudanças percebidas na rotina, principalmente porque a própria pessoa avaliada pode não perceber ou não conseguir relatar todas as dificuldades.

Também é necessário investigar outras condições que podem provocar alterações de memória ou atenção. Ansiedade, depressão, TDAH, deficiências vitamínicas, alterações da tireoide e efeitos colaterais de medicamentos, por exemplo, podem apresentar sintomas semelhantes e precisam ser avaliados.

Quando procurar um médico?

A orientação é procurar atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) ao perceber alterações persistentes, como:

  • esquecimentos frequentes de informações recém-aprendidas;
  • dificuldade recorrente para planejar ou resolver problemas;
  • dificuldade para seguir receitas ou atividades que antes eram habituais;
  • troca constante de palavras ou perda do raciocínio durante conversas;
  • colocar objetos em locais incomuns e não conseguir lembrar onde foram deixados;
  • alterações de humor sem causa aparente;
  • irritabilidade ou desconfiança excessiva;
  • desorientação em relação a datas, horários ou lugares.

Uma avaliação médica também pode ajudar a identificar causas reversíveis antes de se chegar a um diagnóstico de doença neurodegenerativa.

Hábitos também ajudam a proteger o cérebro

O controle de fatores de risco ao longo da vida pode contribuir para a saúde cerebral e reduzir o risco de demências.

Entre as medidas estão a prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada, cuidados com a saúde emocional e acompanhamento de condições cardiovasculares e metabólicas, como pressão alta, colesterol elevado e alterações da glicemia.

O acompanhamento médico é fundamental para avaliar sintomas, fatores de risco e as medidas mais adequadas para cada pessoa.

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