Após 28 anos, videolocadora Lig Vídeo vai fechar as portas em São José
Rede chegou a ter seis lojas e cerca de 40 funcionários na cidade










Depois de 28 anos, a Lig Vídeo, uma das mais importantes videolocadoras da região, anunciou que vai fechar as portas a partir do início de março. A rede de São José dos Campos chegou a ter seis lojas na cidade, nas quais empregou 38 funcionários. Na sede e única loja que restou da rede, na avenida Andrômeda, todo o catálogo está à venda e os clientes já foram avisados sobre o encerramento das atividades.
Na loja, o clima de saudosismo pesa nos corredores vazios e estantes com os títulos à venda. O estabelecimento, onde em outras épocas era preciso apelar a uma fila de espera para conseguir alugar os filmes mais concorridos, não conta com os adornos de outrora: pôsteres e materiais promocionais que faziam do local um ponto de encontro para os amantes da sétima arte.
O roteiro é de uma morte que há tempos vinha sendo anunciada. Mas, mesmo sabedor de que seu nicho de comércio tinha lá os dias contatos, é condoído que o empresário Luiz Fernando Caninéo recebe nossa reportagem para falar sobre a hora de subirem os créditos finais.
“Comparo com a perda de um ente querido. Não foi uma morte súbita, eu sei, mas estamos falando aqui de uma paixão que mantenho pelo cinema desde a infância. Dividi intensamente este amor com todos nossos colaboradores, mas chegou a hora que manter o negócio ficou insustentável”, afirma.
A empresa, que durante mais de uma década encarou em pé de igualdade um embate ferrenho com a gigante Blockbuster, sempre apostou no fator humano como meio para equivaler-se ao poderio financeiro da concorrente. Nas lojas da rede era cena costumeira encontrar clientes e funcionários debatendo sobre diretores, preferências e novidades.
“Nosso corpo a corpo com o cliente era a principal característica da Lig Vídeo. As pessoas gostavam de vir aqui para bater um papo, conversar sobre as novidades. Sempre foi uma exigência nossa de que os colaboradores tivessem esse tato com as pessoas. Não à toa, muitos dos ex-funcionários quando me encontram sempre trazem boas lembranças dos momentos que passaram na loja”, lembra.
Novas plataformas
A loja foi mais uma vítima de um mercado que está com os dias contados. O crescimento de novas plataformas, como a Netflix, praticamente sepultou o setor de home vídeos. Com os investimentos dos estúdios todos concentrados nesta nova forma de alugar cinema, as locadoras não tiveram muito para onde correr.
Mesmo admitindo que esta nova realidade iria diminuir muito o poder das videolocadoras, o empresário credita à crise econômica o que ele chama de nocaute para a Lig Vídeo. “Já sabíamos que nosso ramo seria duramente golpeado, mas o nocaute foi mesmo a perda de poder financeiro por parte dos consumidores. Até a metade de 2015 estávamos conseguindo segurar”, afirma.
Origem
O nome Lig Vídeo é um resquício dos primórdios da locadora, quando o empresário apostava em um esquema de filme delívery, solicitado por telefone. A ideia surgiu depois de Caninéo aposentar um Disk Pizza que manteve por cerca de cinco anos na cidade.
“Já tinha toda uma frota de motos e pensei que seria uma boa iniciativa. Mas imaginem que para a pizza o cliente tem poucas opções de sabores. Já para os filmes, o catálogo é imenso, nunca poderia dar certo. Mas foi dessa experiência que nasceu a Lig Vídeo”, conta.
Os fãs da Lig ainda poderão encontrar o nome estampado em outras locadoras, como a da Vista Verde, por exemplo. No entanto, as lojas não estão mais ligadas à rede e fazem parte de uma negociação que envolveu a venda de quatro das seis franquias em 2009.
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