Após agressões a presos, Justiça afasta quatro diretores da P2 de Potim

A Vara de Execuções Criminais de Taubaté afastou quatro diretores administrativos da Penitenciária 2 de Potim por suspeita de permitirem a prática de violência contra os presos. A decisão foi tomada pela juíza Sueli Armani na sexta-feira (20).

Escrito por: Nádia Rabello2 min de leitura
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Entrada principal da P2 em Potim, que teve parte da diretoria afastada

Nádia Rabello/Jornal Atos

A Vara de Execuções Criminais de Taubaté afastou quatro diretores administrativos da Penitenciária 2 de Potim por suspeita de permitirem a prática de violência contra os presos. A decisão foi tomada pela juíza Sueli Armani na sexta-feira (20).

As acusações dizem respeito à intervenção do GIR (Grupo de Intervenção Rápida) realizada em 17 de maio, quando um drone (pequena aeronave não-tripulada) lançou uma caixa para os detentos no pátio do presídio.

Foram afastados o diretor-geral da penitenciária, o diretor de segurança e disciplina e os diretores dos núcleos de segurança e disciplina. Nesta segunda-feira (23) o diretor da Penitenciária 1 de Potim, Gustavo Testa, assumiu o comando da unidade. Os quatro diretores permanecerão suspensos até o fim da investigação.

O responsável pela Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Aparecida e membro do Conselho das Comunidades, padre José Ferreira, diz que 111 presos, que passaram por exames de corpo de delito, teriam sido agredidos. “Quando chegamos lá, vimos o estrago feito. O GIR não pode causar tantos danos assim, é imoral, não é normal e é contra a lei”, conta.

J.S.P. tem o filho preso na P2 e perdeu as contas das vezes que ouviu os relatos de agressão. “Toda vez que vou visitá-lo, está machucado. Dessa vez, quando o grupo entrou na P2, foi pior. As visitas foram suspensas e não sabíamos o que estava acontecendo. Meu filho fez errado, vai pagar pelo que fez. Só não é justo ele e os outros apanharem dessa forma.”

A Penitenciária 2 de Potim tem capacidade para 740 presos, mas atualmente abriga mais que o dobro de detentos -cerca de 1.800. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, mas até o fechamento desta edição, não obteve resposta.

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