Associação Comercial faz campanha contra ‘esmolas’ em Ubatuba
A Aciu (Associação Comercial de Ubatuba) realiza campanha para que a população evite dar assistencialismo civil aos moradores de rua, como por exemplo, dar esmolas aos mendigos na cidade.


Comerciantes reclamam da permanência
e comportamento dos moradores de rua
em torno dos estabelecimentos
Patrícia Rosseto/Imprensa Livre
A Aciu (Associação Comercial de Ubatuba) realiza campanha para que a população evite dar assistencialismo civil aos moradores de rua, como por exemplo, dar esmolas aos mendigos na cidade.
A ação teve início após constantes reclamações de comerciantes, após problemas provocados pela permanência e falta de controle de moradores de rua nos locais próximos a empreendimentos. “Uma situação no mínimo humilhante e constrangedora, que estão passando há muito tempo”, informou a Aciu.
O presidente da Associação, Márcio Maciel, criou a campanha e recomendou medidas aos seus associados e sociedade civil em geral, no intuito de evitar dar assistência aos moradores de rua.
“Precisamos que toda sociedade se mobilize para enfrentarmos este problema. Recentemente soltamos um comunicado para os estabelecimentos comerciais não disponibilizarem alimentos, bebidas e principalmente bebidas alcoólicas, pois o que pode ser considerada uma boa ação, acaba agravando a dependência e consequentemente os problemas sociais”, recomendou.
De acordo com ele, a situação atinge a população local e turistas. “Quem vem de fora leva uma péssima impressão do município, devido ao constrangimento por que passam”, declarou.
Maciel entende que é uma situação delicada. “Alguma medida precisa ser tomada urgentemente pelos órgãos competentes. Inclusive para promover conscientização e bem-estar para esses moradores de rua e a população em geral. Do jeito que está não pode ficar”, concluiu.
Segundo a associação, a opinião dos comerciantes é que os moradores de rua se alcoolizam em excesso e provocam desordem e sujeira. “Fazem o uso dos espaços públicos dia e noite. Vivem gritando palavras de baixo nível, sujam, fazem gestos obscenos, entre outros”.
Os comerciantes também teriam procurado ajuda nos órgãos públicos municipais, mas sem sucesso. “Somos cidadãos e pagamos nossos impostos. Trabalhamos e deixamos nossas famílias à mercê desta situação ridícula e degradante. Nos sentimos privados de nosso direito de residir e trabalhar com conforto e dignidade. Já entramos em contato inúmeras vezes com a Polícia Militar, Guarda Municipal, Assistência Social, Prefeitura e nada foi resolvido. Também já realizamos abaixo-assinado e também não surtiu efeito”, informou um dos comerciantes que não quis se identificar.
Segundo a Secretaria de Cidadania e Desenvolvimento Social de Ubatuba, não existe lei que obrigue uma pessoa a sair da rua, o que pode ser realizado são políticas públicas e sociais que combatam a desigualdade social e promovam a inclusão social, econômica, produtiva e na perspectiva de direitos.
De acordo com o secretário, Ronaldo Santos, a situação exige uma análise da aderência por parte das pessoas em situação de rua e seu interesse em superação de sua condição de exclusão social, resgate de vínculos com a família, comunidade e a sociedade para poder reinseri-lo, orientando inclusive a retomada da sua capacidade produtiva.
“Nosso direito acaba onde começa o direito do outro, se caso não cumpram leis podem ser acionada a polícia como para qualquer outro cidadão, inclusive caso sejam os moradores de rua as vítimas de crimes devem ser defendidos em seus direitos”, definiu Santos.
Histórico de acolhimento
Segundo informou a secretaria, diariamente são atendidos entre 10 a 15 pessoas para banho e higienização e, atualmente, 10 pessoas para alimentação, além de oito acolhidos morando no abrigo municipal provisoriamente.
“Há uma lista de espera de pessoas em situação de rua que demandam o acolhimento no abrigo, assim que abrem vagas imediatamente são acolhidos novos. Além do atendimento no abrigo, a secretaria faz atendimento aos moradores de rua que nos procuram orientando sobre os serviços existentes e seus direitos”, informou Santos.
O abrigo tem capacidade de atendimento para o máximo de oito pessoas acolhidas, duas vagas femininas e seis vagas masculinas. Os acolhidos recebem alimentação, roupas de cama e banho, kits de higiene e roupas pessoais.
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