Associações divergem sobre futuro do Jardim Esplanada em São José
Na discussão sobre a nova Lei de Zoneamento de São José dos Campos a comunidade do Jardim Esplanada vive um conflito de interesses. De um lado, um grupo que defende mudanças e modernização do bairro. Do outro, moradores contrários a qualquer alteração no zoneamento.

Na discussão sobre a nova Lei de Zoneamento de São José dos Campos a comunidade do Jardim Esplanada vive um conflito de interesses. De um lado, um grupo que defende mudanças e modernização do bairro. Do outro, moradores contrários a qualquer alteração no zoneamento.
A diferença de propostas ficou evidente na audiência pública realizada no último dia 28, que contou com cerca de 300 pessoas e foi a maior participação registrada nos 20 eventos realizados pela prefeitura para ouvir a população.

Weber Rios e Maria Lúcia Fonseca: opiniões divergentes no Esplanada
João Pedro Teles/Meon e Divulgação
Duas associações representam as divergentes visões sobre o futuro do bairro. A AABE (Associação Amigos do Bairro Esplanada), presidida por Maria Lúcia Fonseca Garcia, representa os moradores contrários às mudanças. Já a Ares (Associação para a Revitalização do Esplanada), comandada por Weber Rios, defende aqueles que querem novidades.
Em entrevistas concedidas separadamente ao Meon, ambos explicam suas opiniões sobre diferentes tópicos que fazem parte da discussão.
Mudanças no zoneamento
Maria Lúcia Fonseca: Somos totalmente contra quaisquer mudanças. O Esplanada já nasceu planejado para ser residencial. Ao invés de mudar o zoneamento do bairro, porque não investir em calçadas mais largas e ciclovias para que este seja um local movimentado por quem procura atividades de lazer? Essa seria uma alternativa para a revitalização que alguns defendem. Quando dizem que querem transformar essas ruas em pontos comerciais de baixo impacto, acredito que não passe de especulação imobiliária.
Weber Rios: Nas ruas próximas aos corredores comerciais o fluxo de veículos é muito grande e os transtornos constantes. Alguns moradores se queixam de não conseguir entrar em suas garagens por causa de veículos parados no local. Por isso, listamos 15 ruas que poderiam se transformar em áreas liberadas para comércio de baixo impacto, como clínicas e escritórios, entre outros. Dessa forma, os moradores ficariam livres para escolher continuar morando ou vender suas casas para um comércio, já que a procura nessas ruas é apenas para fins comerciais, ninguém quer morar lá.
Futuro do bairro
Maria Lúcia Fonseca: Não acredito que sejam necessárias mudanças no zoneamento para que o bairro tenha futuro. Ainda hoje há casas sendo construídas ou reformadas. O Esplanada tem diversos atrativos: é próximo de shoppings, bancos e escolas, além de oferecer praças e áreas verdes. Qualquer modernização deve ser feita visando manter as características do bairro.
Weber Rios: Só uma alteração na legislação traria nova vida para o Esplanada. Com comércio de baixo impacto, seriam realizados investimentos em revitalização de diversos espaços. Teríamos calçadas mais seguras, instalação de câmeras de segurança. Fora isso, não vejo futuro para o Esplanada.
Verticalização
Maria Lúcia Fonseca: Apesar da pressão das construtoras, que enxergam no bairro um local muito lucrativo, somos contrários. A comunidade já se mostrou contrária a esse processo.
Weber Rios: Somos contra. A nossa proposta é de manter o Esplanada com sua característica horizontal.
Diálogo entre as associações
Maria Lúcia Fonseca: Na minha opinião, a Ares defende propostas e interesses que não representam os moradores. De acordo com pesquisa realizada em 2013, mais de 80% são contrários às mudanças no zoneamento.
Weber Rios: Colocamos-nos à disposição para apresentar nossas propostas, entretanto, não vemos a mesma disposição do outro lado. Acho que a questão está ficando mais sentimental do que técnica.
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