Atlético-MG vê Sampaoli repetir roteiro de rupturas ao sinalizar saída
BELO HORIZONTE, MG (UOL/FOLHAPRESS) – Primeiro, ele causa uma paixão avassaladora; depois a relação esfria, tem altos e baixos, até uma crise que só aumenta e causa o fim do relacionamento: essa história resume bem a carreira do técnico Jorge Sampaoli, que por onde passa gera todas essas sensações nos torcedores e dirigentes num curto espaço de…

BELO HORIZONTE, MG (UOL/FOLHAPRESS) – Primeiro, ele causa uma paixão avassaladora; depois a relação esfria, tem altos e baixos, até uma crise que só aumenta e causa o fim do relacionamento: essa história resume bem a carreira do técnico Jorge Sampaoli, que por onde passa gera todas essas sensações nos torcedores e dirigentes num curto espaço de tempo.
O cenário atual que o treinador vive no Atlético-MG nada mais é do que um círculo vicioso, algo que já aconteceu de forma muito parecida enquanto o argentino dirigiu clubes como o Sevilla, da Espanha, e, por aqui, o Santos. Novelas públicas prévias à sua saída, muitos atritos e indisposição com dirigentes marcam o fim dos trabalhos do comandante.
Na mira do Olympique de Marselha, da França, Sampaoli tem futuro indefinido no Atlético, apesar de ter contrato até o final do ano. Ele passa por um dos seus piores momentos à frente do clube.
Sem vitórias há três rodadas no Campeonato Brasileiro, o treinador viu as chances de título do time alvinegro, depois do empate em 1 a 1 com o Bahia, serem completamente enterradas, mesmo após exigências importantes feitas pelo treinador e mais de R$ 200 milhões de investimentos com contratações de jogadores.
A irregularidade do time, cujo futebol vem em declínio desde setembro mês de pico de desempenho técnico, sempre foi rotineiramente justificada com respostas evasivas, sobre faltar contundência ofensiva ou o time ser jovem e inexperiente, passando por problemas coletivos.
Do argentino são raras as manifestações de autocríticas, algo relevante para a diretoria do Atlético, uma vez que o próprio treinador pediu se não exigiu a contratação dos mesmos atletas.
Nos bastidores do Atlético-MG, os dirigentes, incluindo os que saíram recentemente após troca de presidentes coincidem na leitura de que Sampaoli é um profissional arbitrário, “cheio de si”, que tem dificuldade para aceitar contestações e não se cansa de fazer pedidos, alguns deles fora da realidade do mercado nacional.
Essa linha de raciocínio certamente não causa surpresas nos dirigentes do Santos que lidaram com o argentino em 2019.
Antes de sair do clube paulista, mesmo ciente de que o Santos passava por uma fase de considerável aperto financeiro, Sampaoli exigiu R$ 100 milhões em contratações, equiparação de salário com propostas que havia recebido e teve atritos públicos com o então presidente José Carlos Peres.
Sua saída foi ruidosa, mesmo após o vice-campeonato brasileiro conquistado com um elenco considerado modesto ao início da temporada.
Perguntado na última semana se cumprira seu contrato com o Atlético-MG, Sampaoli não deu, mais uma vez, garantias de que chegaria ao fim de seu vínculo com clube, válido até o fim de 2021 “Não sei. O futebol muda o tempo todo. É muito instável, especialmente neste país. O treinador dura muito pouco, não se consolida muito o trabalho e as ideias. Só me resta pensar no próximo jogo, tratar de ganhar e chegar o mais longe na tabela de classificação”, respondeu.
“O resto é indecifrável, porque, se você analisar historicamente, o que se passa com todos os treinadores aqui no Brasil é a instabilidade. Eu não sou diferente disso. Se não ganho, sou o pior. Se ganho, sou o melhor. Seguramente, meu trabalho também é avaliado pelos resultados. Só penso na volta ao trabalho na segunda, corrigir os erros e tratar de ganhar o próximo jogo”, completou o argentino.
Antes mesmo de ganhar notoriedade mundial, Sampaoli já foi protagonista de histórias semelhantes. Da Universidad de Chile, onde atingiu renome no continente, saiu para comandar a seleção chilena, com conquistas importantes como a Copa América de 2015 e a classificação à Copa de 2014, no Brasil, após campanha de recuperação nas Eliminatórias.
Sua despedida da “Roja”, porém, foi parar na Justiça. Sampaoli encerrou seu vínculo com a federação chilena em 2016. Do Chile, partiu para uma experiência na Espanha, no Sevilla, onde também arrumou confusão para sair.
Sampaoli virou alvo da seleção argentina e seu fim de ciclo no clube espanhol foi outra novela litigiosa, com críticas por parte da torcida local em 2017. “Meu país me chamou e sinto que preciso ir”, disse em entrevista coletiva após um jogo do Campeonato Espanhol à época.
Pela Argentina, sua passagem foi uma decepção, e o contrato que iria até 2022 durou pouco mais de um ano, de junho de 2017 a julho de 2018 dispensado após a Copa do Mundo da Rússia. Em 2019, acertou com o Santos, onde também viveu ano conturbado.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
