Autor de “A Festa do Santo Reis” relembra amizade com Tim Maia
Empresário de Santo Antônio do Pinhal conta história da letra interpretada pelo amigo


Tim Maia faleceu em março de 1998
Divulgação
“Hoje é o dia de Santo Reis, anda meio esquecido, mas é o dia da festa de Santo Reis”. O verso dá início a uma das emblemáticas músicas do cantor Tim Maia. A canção também marca para muita gente o dia de celebrar a visita dos três Reis Magos (Melchior, Baltasar e Gaspar) ao menino Jesus Cristo.
O que poucas pessoas sabem é a história da música “A Festa do Santo Reis”, que ao contrário do que muita gente pensa, não passou pela ponta do lápis de Tim. O autor da famosa letra, Marcio Leonardo Sossio, 68, empresário de Santo Antônio do Pinhal, interior de São Paulo, lembra com carinho de como compôs a canção que lhe remete a infância simples.
“Eu passava as férias nas fazendas do meu tio, em Meridiano (próxima de São José do Rio Preto), e da minha tia em Ipuã (próxima de Ribeirão Preto) e sempre no mês de janeiro. Então eu via chegar aqueles caminhões pretos antigos cheio de palhaços tocando sanfona. Desciam do caminhão cantando, comiam, bebiam, benziam a casa pra gente e tudo mais. Dos cinco aos 12 anos passei por isso. Com 17 eu fui morar em Santos e um dia perto da Praia do Gonzaga eu comecei a me lembrar da infância e aí a música saiu”, conta.
A similaridade com o nome do filho do cantor, Marcio Leonardo Maia, não é mera coincidência. Tim e Marcio se conheceram no início dos anos 60 em São Paulo. O “Pai da Soul Music Brasileira” tinha acabado de ser deportado dos Estados Unidos para o Brasil e estava sem rumo. Já Marcio, natural de Tanabi (SP) vivia na capital sozinho e buscava música e cultura.
“Eu o conheci em São Paulo, quando chegou dos Estados Unidos. Estávamos em um apartamento chamado “Casa de Deus”. Era de um cara meio maluco que abriu as portas pro mundo cultural e recebia gente do teatro, dança e tudo mais. Um dia chegamos com um amigo e o Tim estava cantando, tinha muita gente reunida, gostei muito. E aí sentamos e fizemos amizade”, diz com leves risadas.
Os dois viveram um período juntos sob o mesmo teto na capital paulista, mas alguns desentendimentos acabaram por afastar a dupla. No entanto, antes de finalizar a gravação do segundo álbum em 1971, Tim Maia procurou o amigo para deixar eternizada a canção que ilustra para muitos fãs o dia 6 de janeiro.
“Ele passou um tempo comigo na minha casa, depois eu acabei casando e sumi. Não o acompanhei na gravação dos álbuns, mas ele foi me procurar antes da gravação do segundo disco pedindo pra gravar essa música. Depois de um tempo me disseram que a canção virou sucesso”.
Hoje Marcio Leonardo mantém uma pousada na Serra da Mantiqueira e tem uma banda, ao lado de três amigos, chamada Vento Verde. Perguntado se ficou satisfeito com o produto final, responde de maneira imediata e com um tom de saudade.
“Gostei sim. Um amigo nosso que fez o arranjo, mas o Tim era quem comandava tudo. O Tim é um amigão. Era um cara difícil de lidar, doidão, mas era do bem, não era negativo”, conclui Marcio.

Marcio Leonardo (esquerda) com os amigos Dagoberto e Daniel e o filho João Terra (direita)
João Terra/Reprodução Facebook
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