Avenida Paulista vista pelo avesso do avesso em exposição no Masp
Coletiva reúne 40 artistas que registraram a avenida no passado


Trecho da avenida Paulista de onde começam as manifestações em São Paulo
Eliana Rodrigues/PMSP
A exposição Avenida Paulista, que o Masp abriu na semana passada, é um ambicioso retrato do principal palco de todas as grandes manifestações públicas do País. A coletiva reúne 40 artistas que registraram a avenida no passado e 17 contemporâneos convidados pelo Masp para realizar projetos específicos sobre ela, entre os quais André Komatsu, Cinthia Marcelle, Daniel de Paula, Dora Longo Bahia, Laís Myrrha, Marcius Galan, Mauro Restiffe e Rochelle Costi.
Dos projetos comissionados pelo Masp derivam os principais temas da exposição, observa o curador Tomás Toledo. A mostra foi dividida em dois segmentos: no lado esquerdo do espaço expositivo foram agrupados, em ordem cronológica, fotografias, desenhos e pinturas sobre a avenida, que tem mais de 120 anos e uma longa história construída por imigrantes, os primeiros ocupantes dos seus quase 3 quilômetros de extensão. Foram eles portugueses, espanhóis, italianos e libaneses que ergueram os casarões da avenida, derrubados como num jogo de baralho.
“Como escreve Zélia Gattai em Anarquistas, Graças a Deus, pelas fachadas desses casarões era possível identificar a nacionalidade de seus moradores”, lembra o curador, apontando uma foto do arquivo do Estado que registra o palacete da família Matarazzo demolido – e ainda com o brasão, que tombou sem danificar seu desenho.
No lado direito e no centro da sala de exposição foram instalados os trabalhos encomendados a contemporâneos. Um dos mais interessantes é a série do fotógrafo paulista Mauro Restiffe, que registrou 32 modos de viver na avenida, desde solitários moradores de quitinetes a tradicionais famílias que ainda preservam grandes apartamentos em condomínios como o Saint Honoré, projeto de Artacho Jurado, de 1958.
“Só conhecia duas dessas pessoas moradoras na Paulista antes da série”, conta Restiffe, que pretende prosseguir com o projeto.
Saindo à rua, o paulistano André Komatsu trouxe a calçada da Paulista para dentro do museu, reproduzindo a textura dos diferentes pisos que a avenida teve, dos mosaicos portugueses ao concreto moldado in loco, adotado em 2008. Dos detritos dessa calçada a mineira Cinthia Marcelle fez uma obra que replica o revestimento de borracha preto do Masp numa grade geométrica de grande impacto visual. O museu e seu entorno também é o tema de outra mineira, Laís Myrrha, que filma as estruturas do Masp e do prédio anexo, o Dumont-Adams.
AVENIDA PAULISTA
Masp. Av. Paulista, 1.578;
Abriu em 16/02, 20h. Até 28/5;
3ª a dom., 10h/18h., 5ª, 10h/20h;
R$ 30 e R$ 15;
tel. (11) 3251-5644.
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