Avibras suspende lay-off, mas segue sem data para pagamento de salários
Empresa também prorrogou retorno dos funcionários pela terceira vez


Sindicato rejeitou proposta de lay-off apresentado pela Avibras
Divulgação/SindMetalSJC
A Avibras informou por meio de um comunicado interno nesta quinta-feira (15), de que a intenção de implantar um lay-off (suspensão temporária de contrato) foi suspensa. A empresa também pretende solucionar a questão dos salários atrasados, mas ainda não existe uma data para que isso aconteça.
“Informaremos as datas e a forma de pagamento dos salários atrasados assim que tenhamos uma visibilidade mais concreta”, diz parte do comunicado assinado pelo presidente da Avibras, Sami Hassuani.
O pagamento dos salários de dezembro e a primeira parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) estão em atraso desde 5 de janeiro. Alguns trabalhadores estão sem receber há dois meses (conforme o valor do salário).
De acordo com o comunicado, ao contrário de outras indústrias que paralisaram ou reduziram suas atividades por falta ou redução de demanda, a Avibras possui contratos que somam mais de R$ 2,4 bilhões e os próximos recebíveis, mais significativos, -são puramente financeiros (adiantamentos) ou documentais (relatórios, revisão de projetos, etc.)- devem ocorrer até abril deste ano e são suficientes para viabilizar outras entregas e, consequentemente, outros recebíveis.
Já a suspensão da negociação de lay-off, segundo Hassuani, acontece “após reflexões e consultas, incluindo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, esta solução demonstra ser mais adequada para aquelas empresas que não têm demanda. A Avibras tem contratos e quer produzir”, diz.
Inicialmente, o objetivo da empresa era suspender o contrato de até 1.000 funcionários, proposta que não foi aceita pelo sindicato da categoria. Com sede em Jacareí, a Avibrás possui 1.500 trabalhadores.
A empresa também prorrogou -pela terceira vez- o retorno dos funcionários que estão de licença remunerada desde 17 de dezembro para o próximo dia 26. O período de licença, que deveria ter acabado dia 5, já foi prorrogado duas vezes: para o dia 12 de janeiro e, depois, para o dia 19.
“Como resultado da gestão, da comunicação e da interação com os órgãos públicos, diretamente relacionados com a Defesa, e outros organismos, acreditamos ter sensibilizado a todos os envolvidos sobre a necessidade de encontrar uma solução de suporte para o desenvolvimento, não só da Avibras, mas para um conjunto significativo de pequenas e médias EED (Empresas Estratégicas de Defesa)”, diz Hassuani.
No comunicado, o presidente afirma que a empresa vai realizar um esforço de negociação junto aos seus fornecedores, para manter as operações essenciais administrativas, de apoio e dos contratos, para que não ocorra a total interrupção destes e, consequentemente, grandes comprometimentos de custo e prazo.
“Estas decisões garantem a plena continuidade da Avibras. Entretanto, exigem sacrifícios financeiros e alterações nos programas de execução dos contratos, que impedem explorar o potencial da Avibras em sua plenitude”, diz Hassuani.
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