Avibras volta a atrasar salários e pode abrir lay-off, diz sindicato

Empresa prorrogou retorno dos funcionários e não pagou salário e PLR

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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A Avibras, empresa brasileira do setor aeroespacial, voltou a atrasar os salários e prorrogou por mais uma semana a licença remunerada de todos os trabalhadores. Os salários de dezembro e a primeira parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) deveriam ter sido pagos nesta segunda-feira, mas não há previsão de quando o depósito vai ser feito.

Os funcionários estão em licença desde o dia 17 de dezembro e deveriam ter retornado também nesta segunda-feira -data que a empresa se comprometeu a fazer os pagamento. Entretanto, os trabalhadores foram informados que só deverão voltar aos trabalhos na próxima segunda-feira (12).

Segundo um funcionário que não quis se identificar, a empresa também não está pagando o convênio médico. “Fui pego de surpresa quando fui passar por uma consulta e o RH (Recursos Humanos) da empresa confirmou que a empresa não pagou os convênios, mas disseram que vão pagar”, conta.

Em 16 de dezembro, os trabalhadores da unidade da Avibras, em Jacareí, entraram em greve por tempo indeterminado, devido ao atraso no recebimento dos salários de novembro, adiantamento salarial de dezembro e PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a Avibras já pediu abertura de negociação com a entidade para adoção de lay-off (suspensão de contratos de trabalho) na fábrica. Nesta quinta-feira (8), às 9h, haverá uma assembleia com os trabalhadores na sede do sindicato, que fica na rua Maurício Diamante, 65, região Central, de São José.

“A situação não é por falta de clientes. A empresa tem R$ 2,4 bilhões em carteira de pedidos, com contratos já assinados, mas alega que está sem capital de giro”, diz um trecho da nota do sindicato.

O sindicato também protocolou nesta terça-feira (6), um pedido de reunião com o ministro da Defesa, Jacques Wagner, para relatar a situação dos 1.500 funcionários da Avibras e reivindicar que o Governo Federal tome providências em favor dos trabalhadores.

A entidade sindical também entende que a Avibras é estratégica para o país e defende a estatização como única saída para a empresa, maior fabricante brasileira de equipamentos militares, com 54 anos de história. “Já passou da hora do governo estatizar a empresa. A própria Avibras admite que está em seu melhor momento, mas para os trabalhadores sobra apenas calote”, afirma o diretor do sindicato Elias Osses.

Contrato recente
A Avibras é uma das principais indústrias do setor bélico do país e possui contratos com o governo federal, além de países como Indonésia e Arábia Saudita. No início de dezembro passado, a empresa e o Colog (Comando Logístico do Exército) assinaram um contrato de R$ R$ 167.582.190,00 para fornecimento de um lote de 20 viaturas Astros MK 6 para o EB (Exército Brasileiro.

As viaturas vão ser fabricadas na nova fábrica de blindados em Jacareí e serão entregues em um prazo de dois anos. A aquisição faz parte do Projeto Estratégico Astros 2020 e as 20 viaturas se juntarão a outras nove, que foram entregues ao Exército em junho deste ano, e que estão em operação no 6º GLMF (Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes), localizado no Forte Santa Bárbara, em Formosa -GO.

Outro lado  
O Meon procurou a empresa e questionou sobre o atraso nos salários e possível lay-off e não pagamento do convênio médico, mas a empresa não retornou até o fechamento desta matéria.

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