Baleias antecipam chegada ao litoral brasileiro e acendem alerta climático em 2026
Chegada precoce de baleias-jubarte e baleias-francas acende alerta sobre mudanças climáticas e falta de alimentos na Antártica

A temporada de baleias no litoral brasileiro começou antes do previsto em 2026. Pesquisadores registraram a presença de baleias-jubarte e baleias-francas na costa do país semanas antes do período habitual. Embora o crescimento populacional dessas espécies colabore para o aumento de avistamentos, cientistas alertam que a migração antecipada está diretamente associada à menor disponibilidade de krill e outros alimentos na Antártica, um reflexo imediato dos impactos das mudanças climáticas na região polar.
Os primeiros registros dessa antecipação ocorreram ainda no primeiro semestre deste ano. Em abril, Ilhabela (SP) computou o primeiro avistamento de uma baleia-jubarte da temporada. Já no início de maio, uma baleia-franca foi observada em Torres (RS), configurando a aparição mais precoce dos últimos 40 anos de monitoramento da espécie na região sul.
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Historicamente concentrado entre os meses de julho e outubro, o período de migração para o litoral brasileiro oferece águas mais quentes e calmas que funcionam como um berçário natural. No local, as fêmeas dão à luz e amamentam seus filhotes antes de retornarem à Antártica. A proteção da área é fundamental para a conservação: enquanto as jubartes saíram da lista de animais ameaçados, as baleias-francas ainda são classificadas “Em Perigo” na Lista Nacional Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção do Brasil.
Além de sua relevância para a biodiversidade, os cetáceos desempenham um papel crucial na regulação do clima global. Ao subirem à superfície, elas eliminam nutrientes que fertilizam o ambiente marinho e estimulam o crescimento do fitoplâncton — organismo responsável por absorver cerca de 40% do dióxido de carbono ($CO_2$) do planeta e gerar mais de 50% do oxigênio da Terra.
Uma única baleia de grande porte consegue acumular, em média, 33 toneladas de carbono ao longo de sua vida, superando árvores eficientes como o carvalho-vivo, que retém cerca de 12 toneladas. Um estudo conduzido pelo Instituto Baleia Jubarte e pela Great Whale Conservancy apontou que as baleias que frequentam a costa brasileira geram em torno de US$ 82,5 bilhões em serviços ecossistêmicos globais, somando os benefícios de captura de carbono, fertilização marinha e o turismo de observação.
A estimativa para a temporada de 2026 é de crescimento na atividade turística e nas pesquisas científicas na região do Vale Histórico e Litoral Norte. Municípios paulistas como Ilhabela e São Sebastião expandiram as frentes de monitoramento e fiscalização com o suporte de drones e embarcações credenciadas, visando assegurar o cumprimento das regras de avistamento e evitar o molestamento dos animais. Em Santa Catarina, a Rota da Baleia Franca também recebeu novas estruturas voltadas à educação ambiental e ao turismo científico.
No cenário internacional, o período coincide com um marco regulatório importante: em janeiro de 2026, entrou em vigor o Tratado Global do Oceano, ratificado por mais de 60 nações, incluindo o governo brasileiro. O acordo internacional viabiliza ferramentas jurídicas para criar e expandir áreas marinhas protegidas em águas internacionais, colaborando de forma direta para a meta global de blindar 30% dos oceanos até o ano de 2030.
Foto: Nicole Almeida/Meon
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