Banda cover, emoção original
Com espetáculos cada vez mais elaborados, grupos chegam a 100 shows ao ano


U2 One; banda que toca este sábado no Anexo instrumentos iguais aos do U2
Divulgação
Viajar o Brasil tocando os sucessos do seu artista preferido, passar o tempo livre estudando acordes, ouvindo atenciosamente as novidades, observando os novos figurinos e ainda ganhar pra isso. Compor uma banda cover é elevar a condição de fã a um nível muito superior.
Os grupos que prestam tributos à grandes nomes da música desfrutam de um enorme mercado em casas de shows em todo o país, sendo que os mais conceituados chegam a ultrapassar a marca de 100 apresentações por ano.
Considerada a melhor banda cover do U2 na América Latina, o U2 One é atração deste sábado (26) no Anexo, em São José dos Campos. A banda já tem dez anos de estrada seguindo os irlandeses.
De acordo com o vocalista Sergio Gonçalves, riqueza nos detalhes e a cópia fiel aos acordes de Bono, Edge e companhia são as marcas registradas nos shows. Para representar com fidelidade as múltiplas fases de uma banda que mudou tanto ao longo dos anos, o U2 One faz um passeio por toda a carreira dos irlandeses durante suas apresentações.
“A gente começa o show com as músicas e o figurino da primeira fase da banda. A medida que o show vai seguindo, vamos retratando as mudanças da banda ao longo dos anos”, explica o vocalista.
O cuidado é tanto que a banda usa inclusive os mesmos instrumentos da “matriz” irlandesa. “Já fomos até convidados pela gravadora do U2 para lançar o cd ‘No Line on the Horizon’ (2009)”, comenta o vocalista da banda que, em outubro, tem agenda para Rio Branco (AC), Macapá (AP), Crisciúma (SC) e Recife (PE).

“Freddie Mercury” do Classical Queen
Divulgação
Dilema do repertório
Interpretar no palco uma banda com legiões de fãs no país é também andar na corda bamba das preferências do público. O dilema é intrincado: selecionar um setlist recheado de clássicos para agradar aquele público que não é tão fã assim ou colocar sacar logo uma série “lado B” para ganhar o respeito dos fãs de carteirinha?
Para o guitarrista da Classical Queen, Fernando Gamba, só o tempo ajuda a banda a sair com classe dessa cilada.
“Depois de alguns anos que a gente escuta os fãs reclamarem de uma ou outra ausência no repertório, vamos nos acostumando com o público de cada casa e, no fim, chegamos muito perto de agradar todo mundo”, explica.
A banda, que faz cover do Queen também toma precauções para não repetir o mesmo repertório ao tocar em lugares diferentes.
“Temos um arquivo com o que tocamos em cada casa justamente para que a pessoa que veio nos ver uma vez não tenha aquela impressão de estar assistindo o mesmo show. Dá trabalho, mas vale a pena”, explica.
Criador x Criatura
Dimas Borba é o vocalista da banda Sete Cidades, que há dez anos presta tributo à Legião Urbana. Nesse período, o músico já perdeu as contas de quantas vezes já foi chamado de Renato Russo tanto nos shows quanto quando esta “à paisana” fora do palco. “O pessoal pergunta se eu sou viado”, brinca.
Embora até goste da comparação e entenda as razões do público, Borba prefere que sua performance seja comparada a uma interpretação pessoal do líder da Legião.
“Eu vou lá, coloco uma bata branca e tal. Mas no meu caso é uma interpretação mesmo. É mais o Dimas no palco do que alguém tentando imitar o Renato Russo”, explica o vocalista da banda que, este ano promoveu um show histórico de comemoração dos dez anos da banda para um salão lotado do Luso Brasileiro.
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